Já se passaram 40 anos do casamento entre o músico mais influente dos Beatles e uma obscura artista japonesa, mas mesmo assim muitos seguem sem deixar de lado a teoria de que “a culpa de tudo é de Yoko Ono”.

Em 20 de março de 1969, se casavam em Gibraltar John Winston Lennon e Yoko Ono, relação que, segundo a lenda, acabou com a melhor banda da história.

Foi o segundo casamento do inglês e o terceira da japonesa, que durou, como então prometeram e apesar de uma separação temporária de um ano em meados dos anos 70, até que a morte os separou, em 8 de dezembro de 1980.

A mais de uma década de vida juntos – a relação tinha começado anos antes, com ambos ainda em outro casamento – acabou com o assassinato do músico diante do edifício Dakota, em Nova York, horas depois que Annie Leibowitz tirou uma foto do ex-beatle abraçado a sua mulher, sem roupa.

A história de Yoko e John, transformada hoje em um ícone do século 20, se resume em várias aparições públicas, frases célebres e fotografias polêmicas, reflexo de muita música, muito ativismo antibelicista e muita contestação.

Em uma dessas fotos, aparece o casal vestido de branco há quatro décadas em Gibraltar – ela de minissaia e chapéu de abas largas, ele com o cabelo longo, seus característicos óculos e uma jaqueta -, segurando o certificado de casamento.

Dias depois, seguiram em Amsterdã com sua badalada lua-de-mel de ativismo político – “bed-in for peace” (na cama pela paz) -, cercados de flores, com violão envolvido e entre cartazes dizendo “Hair Peace” e “Bed Peace”.

Outra foto, a da um idílico céu azul com uma nuvem branca que escolheram para a capa do primeiro disco da banda Plastic Ono Band, gravado ao vivo no festival de Toronto em setembro de 1969, simboliza para muitos o fim dos Beatles.

Segundo os biógrafos, Lennon, que há tempos já fazia suas experiências fora do grupo, sobretudo com Yoko Ono, anunciou ao término dessa viagem que deixava os Beatles.

A data oficial do fim dos Beatles, no entanto, ficou para a história como sendo em 10 de abril de 1970, quando Paul McCartney lançou um disco solo.

As críticas de muitos admiradores se centram ainda hoje em Yoko Ono, mulher, asiática, “outsider”, cantora e artista incompreendida, que se definiu assim em 1996: “Fui um alvo fácil e um bode expiatório, escreveram sobre mim de forma pouco afável, também sobre John e muita gente. Mas foi a imprensa que criou essa imagem. Era o mais fácil, transformar uma mulher em uma espécie de ser malvado com poderes malignos”, explica Yoko.

Aos 76 anos, Yoko Ono é hoje uma das viúvas mais famosas do mundo, além de uma artista que segue produzindo.

A Tóquio, onde nasceu em 1933 em uma família de banqueiros ligada à família imperial e a uma estirpe de samurais, retorna pelo menos uma vez ao ano.

Yoko Ono apoiou o Museu John Lennon de Saitama, nos arredores da capital japonesa, o único centro dessas características que tem seu real suporte no mundo.

“No Japão, se sentiam felizes e andavam tranquilos pelas ruas como uma família normal”, assegurou à Agência Efe o presidente do museu, Junichi Muzusawa.

O centro contém imagens do casal em suas visitas ao Japão, como a feita a Karuizawa, um formoso enclave de montanha destino tradicional da elite burguesa e de membros da família imperial nos veraneios.

 

A suíte 128 do exclusivo Hotel Mampei, onde ficaram entre 1976 e 1979 com seu filho Sean, se mantém como na época: um ambiente de madeira com fotos do músico de Liverpool e “a artista famosa mais desconhecida do mundo”, como o ex-beatle definiu Yoko Ono pouco depois de conhecê-la.

 

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