Considerada a rainha do slam na França, Delphine II abre em João Pessoa, as comemorações do ano da França no Brasil. É uma rara oportunidade de conhecer esta expressão atual da música e da poesia urbana. A consagrada “slameuse” francesa se apresenta nesta sexta-feira (13), às 17h30, na Estação Cabo Branco – Ciência, Cultura e Artes. O grupo paraibano Chico Correia e o músico Didier Guigue participarão do concerto dando o suporte musical à artista. O show é fruto de uma parceria entre a Aliança Francesa, Estação Cabo Branco, a UFPB e a Funjope. A entrada é franca.

Um tipo de arte de expressão popular. O slam é comparado aos repentistas, pela sua mistura entre poesia declamada e muito ritmada. As apresentações de slam são como desafios entre os participantes, mas, ao contrário do repente, raramente são improvisadas e os participantes recitam textos próprios previamente escritos.

Inicialmente à margem dos circuitos artísticos tradicionais, é um espetáculo oral e cênico focado nas palavras e na expressão bruta.Apesar de existir a noção de desafio entres os “slamers”, geralmente, não há competição entre eles. Cada um, artista ou não, participa pelo prazer de compartilhar o seu texto, se entregar, transmitir emoção pela palavra, pela voz e pelo corpo.

Os objetivos das apresentações são a convivência, o respeito por intermédio da escuta dos outros e a expressão de si através dos princípios de liberdade e de diversidade social e literária. O slam é uma arte de performance poética, é um elo entre a escrita e a expressão oral, encorajando os poetas a se concentrarem no que eles dizem e como eles o dizem, sendo aberta a todos, de todos os estilos, meios sociais, gerações e sexos.

A artista
Nascida em Paris, em 1976, com o pai de Camarões (África) e a mãe de Guadalupe (Antilhas), Delphine II convive entre as três culturas com desenvoltura. Após uma carreira comercial, ela fez cursos de teatro no TAN (Théâtre de l’ Air Nouveau), onde conheceu sua futura diretora Carlotta Nevscki. Aberta a aventuras enriquecedoras, Delphine se enveredou pelo cinema, pelo teatro, e representou seu primeiro “One womam show”, com o título “Chuis la seule ou quoi”, de sua própria autoria.

Uma mistura impressionante de humor, de revolta e de ternura, Delphine II possui múltiplos talentos, além de uma formidável energia que ela decidiu dedicar completamente à sua arte.

Sensível, ela se exprime por intermédio do slam e dos textos que escreve para suas performances no palco. Em suas criações ela explora e questiona suas identidades francesa, negra e de mulher, ao mesmo tempo em que recusa a se fechar em uma delas. Antes de tudo “slameuse”, antes de ser humorista, Delphine II é, sem dúvida alguma, uma artista para se descobrir e amar.

Sobre o movimento “slam poetry” (slam poesia)

Os encontros de slam poetry (a poesia slam) foram idealizados em 1985 pelo norte-americano Marc Smith. Poeta e operário da construção civil, Smith passou a realizar os recitais de poesia em um clube de jazz de Chicago, com a intenção de trazer “novos ares ao formato de leitura de poesia em eventos de open mic (microfone aberto)onde qualquer pessoa pode subir ao palco e apresentar seu texto.

Tão logo o evento se popularizou, Smith definiu as regras para sua realização. A estrutura básica é a de um microfone aberto, onde os performers apresentam textos próprios, num determinado período de tempo (geralmente, três minutos). Ao final, o público escolhe quais foram as melhores interpretações. Em 1986, os encontros de slam poetry se espalharam por outras cidades dos Estados Unidos, o que levou a criação de uma grande competição anual nacional, a National Poetry Slam. O Slam Poesia parte do principio de que todo indivíduo é capaz de emitir uma opinião válida sobre arte. Não necessitando de uma formação acadêmica ou técnica para isso.

No entanto, o slam poesia tem suas regras: os poemas podem ser de qualquer assunto ou tema e em qualquer estilo. Cada poeta tem que apresentar poemas originais de sua autoria. Geralmente, é permitido aos poetas o uso do ambiente e de artifícios que este ofereça – microfones, suporte de microfone, o palco, cadeiras e mesas – desde que os mesmos estejam disponíveis para todos os outros competidores. Não é permitido, contudo, o uso de auxílios visuais ou e fantasias. A regra de auxílios visuais tem o intuito de manter o foco nas palavras (e na performance) e não em objetos.

O Slam Poetry e o Hip-Hop

Ainda que o slam poetry não tenha uma ligação direta com o movimento hip-hop, a natureza poética do rap e o formato do recital _ eventos de open mic _ aproximaram essas duas culturas. Graças a essa aproximação, o slam se tornou popular tanto nos EUA quanto na França, e alguns dos principais “slameurs” são também MCs de rap.

Entre eles destaca-se a figura do MC, ator, escritor e cantor norte-americano Saul Williams, figura popular nos encontros de “open mic” que ocorriam no final da década de 80, em Nova York. Embora esteja desvinculado da cena, Williams é o nome mais popular do slam, tanto por sua participação nesses eventos de spoken word, (palavra falada) quanto por seu trabalho como ator _ele foi o protagonista do filme “Slam”.

A exemplo dos Estados Unidos, os franceses mais famosos no efervescente cenário de poesia slam do país são os MCs Abd Al Malik e Grand Corps Malade, ambos ligados à cultura hip hop. Seus espetáculos costumam ser uma mistura de performance de rap tradicional, com acompanhamento musical, e de declamação de poesia a capela.
 

Da Redação

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