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Caixa com oito discos e um DVD resgata a fase mais criativa de Tim Maia

“Vou pedir pra você ficar/ Vou pedir prá você voltar/ Eu te amo/ Eu te quero bem.” Esse foi o último refrão cantado por Sebastião Rodrigues Maia, Tim Maia, antes de deixar o palco, numa passagem de som, e seguir direto para um hospital em Niterói (RJ), onde morreu, aos 55 anos, em 15 de março de 1998, em decorrência de uma infecção generalizada.

“O peso de Tim Maia na música brasileira é proporcional ao seu peso real. Com aquele vozeirão, ele abriu uma fresta de originalidade na nossa música ao misturar grooves, gospel, soul e blues. Além de um grande compositor, uniu-se a nomes como Nelson Motta”, destaca o musicólogo Ricardo Cravo Albin. “Tim fez uma bela trajetória na música do século 20. Uma vida que se foi prematuramente”, lamenta.

Amigo de Jorge Ben, Roberto e Erasmo Carlos (também tijucano e parceiro de aventuras pelos subúrbios cariocas), Tim Maia lança seu primeiro long play em 1970. Destaque para Coroné Antonio Bento (Luiz Wanderley e João do Vale), um baião acelerado, e as dançantes (aquelas pra ficar bem coladinho) Azul da cor do mar e Primavera (Cassiano e Silvio Rochael).

Um ano depois, Tim já se consolida como novo ícone da música popular brasileira. Os sucessos da vez são A festa de Santo Reis (Marcio Leonardo), Não quero dinheiro, Não vou ficar, Você, que traz um gostinho de Jovem Guarda, e a bossanovista Preciso aprender a ser só (Marcos e Paulo Sérgio Valle). Desde então, está em lugar privilegiado nas paradas de sucesso e nas prateleiras das lojas de disco.

Marmitas

Para satisfação dos fãs e colecionadores, a gravadora Universal acaba de lançar uma caixa dedicada à fase mais profícua do cantor, que na adolescência entregava marmitas (sempre desfalcadas de um bife, um ovo ou uma batata frita, que ele devorava antes de oferecer ao freguês) e jogava bola com Erasmo nas ruas da Tijuca. São oito CDs do período de 1971 a 1984, todos com a capa original, além de um DVD gravado durante um show realizado em 1989 (leia crítica na página 3).

Perfeccionista, genioso, reclamava dos agudos, reclamava dos graves… foi apelidado de o Síndico da MPB. Graças a Tim, a música pop norte-americana, ao passar pela alfândega brasileira, foi bronzeada com o estilo e a classe de Sebastião… Tião… Tim, que flertou também com a bossa nova, a Jovem Guarda e até com o forró. Irreverente diante das câmaras, gostava de repetir aos jornalistas: “Não fumo, não bebo e não cheiro. Meu único defeito é que minto um pouco”.

Nas noites de Brasília, o Síndico continua sempre presente no set list das bandas covers. “Tim Maia é pedida obrigatória em nossas apresentações. No auge do show tem que rolar Tim e Legião Urbana, a plateia sempre canta junto”, constata Paulo Delegado, líder da banda Soñadora, há oito anos na estrada.
 

Correio Braziliense

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