Os longas-metragens Cidadão Boilesen, do brasileiro Chaim Litewski, e VJs de Mianmar – Notícias de um país fechado, do dinamarquês Anders Hogsbro Ostergaard, saíram consagrados da 14ª edição do É Tudo Verdade, o maior festival de documentários da América Latina, encerrado na noite de sábado.
O documentário de Litewski, que recupera a trajetória do empresário dinamarquês radicado no Brasil Henning Albert Boilesen (1916-1971), suposto líder da caixinha que financiou a repressão política durante a ditadura militar, venceu a competição brasileira e, além do troféu, recebeu um prêmio em dinheiro no valor de R$ 100 mil. O filme de Ostegaard, que retrata a história do repórter japonês Kenji Nagai na ditatorial Mianmar, ex-Birmânia, foi escolhido o melhor filme estrangeiro.
Outros temas políticos também permearam o restante da premiação do É Tudo Verdade, que agora seguirá para Brasília, onde fica em cartaz entre 14 e 16 de abril. O brasileiro Corumbiara, de Vincet Carelli, que fala sobre o massacre de índios em Rondônia nos anos 80, e os estrangeiros Bloody mondays & strawberry pies, de Coco Schrijber (Holanda), e René, de Helena Tresikova (República Tcheca), receberam menções honrosas. O filme de Carelli chega à tela em um momento em meio à polêmica da Reserva Serra Raposa do Sol.
– Gostaria de pendurar esse prêmio e mostrar para o ministro do Superior Tribunal Federal que disse que reserva é balela – protestou o diretor ao subir ao palco do Cinesesc para receber seu prêmio.
Entre os curtas-metragens, o americano Severing the soul, de Barbara Klutinis, foi escolhido o melhor título da competição internacional, enquanto No tempo de Miltinho, de André Weller, foi o vencedor da mostra nacional. Ambos receberam R$ 6 mil. Dois outros curtas internacionais receberam menções honrosas: Chirola (Bolívia), de Diego Mondaca (Bolívia), Slavar (Suécia), de Hanna Heilborn e David Aronowitsch, e Leituras cariocas (Brasil), de Consuelo Lins.
O júri internacional do É Tudo Verdade de 2009 foi formado por Claas Danielsen, diretor do Festival Internacional de Documentários e Animação de Leipzig, a cineasta e professora chilena Paola Castillo e pelo fundador e diretor da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, Leon Cakoff. O júri brasileiro foi constituído pela cineasta Lina Chamie, o montador e diretor Ricardo Miranda e o diretor de fotografia e cineasta Aloysio Raulino.
Os principais vencedores
Filme nacional: Cidadão Boilesen, de Chaim Litewski
Filme Estrangeiro: VJs de Mianmar – Notícias de um país fechado, Anders Hogsbro Ostergaardsd
Menções honrosas (longa): Corumbiara (Brasil), de Vincent Carellis, Bloody mondays & strawberry pies, de Coco Schrijber, e René, de Helena Trestikova.
Curta brasileiro:No tempo de Miltinho, de André Weller
Curta estrangeiro:Severing the soul (EUA), de Barbara Klutinis
JBonline







