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Artistas destacam preservação da identidade e dos valores culturais do São João de Campina Grande

Foto: Maria Eduarda Batista. Mabel Pontes

Forró e tradição mantidos. Muito tem se falado do processo de mudança nos festejos juninos do Nordeste com a inserção na grade da programação de shows com artistas de outros gêneros musicais, fora do forró.  Alguns forrozeiros da linha tradicional reclamaram de espaço em algumas festas juninas. E defenderam a predominância do forró gonzagueano, ao som da sanfona, do triângulo e da zabumba.

Em Campina Grande, que há 43 anos realiza o Maior São João do Mundo, apesar da ausência de alguns ícones da música regional como Alcymar Monteiro. Jorge de Altinho, Nando Cordel e Santanna, a festa preserva a identidade e os valores culturais da região. E mantém a tradição.

A cantora Elba Ramalho, que na noite de 23 de junho voltou a protagonizar um dos momentos mais emblemáticos do São João de Campina Grande, destacou o simbolismo da festa.

Foto: Natasha Leoni e Thallys Andrade / Arte Produções

Com mais de 30 anos de tradição se apresentando na véspera de São João em Campina Grande, Elba reafirmou o papel que ocupa na história da celebração. Antes do show, a cantora falou sobre a emoção de retornar, mais uma vez, à cidade que considera fundamental em sua trajetória artística.

Para Elba Ramalho, estar no palco do Parque do Povo é viver uma experiência diferente de qualquer outra apresentação. A artista destacou o vínculo afetivo construído com Campina Grande ao longo de décadas de participação na festa do Maior São João do Mundo.

Durante a coletiva, a cantora também destacou a importância de Campina Grande para a consolidação das festas juninas no país. Uma das melhores do país.

“É uma festa muito alegre, muito nossa, e Campina se colocou em um patamar elevadíssimo, como uma das melhores. A gente fica feliz de ver que Campina também é um modelo para que outras cidades melhorem e invistam nas suas festas”, disse a cantora.

Ao falar a respeito da preservação das tradições juninas, Elba defendeu que o São João mantenha sua identidade cultural, chamando atenção para a importância do compromisso dos gestores públicos e dos agentes culturais com essa preservação.

“Junho é o São João, e São João é pra nossa cultura”, afirmou.

Parceiro de Luiz Gonzaga, e presença marcante nas festas juninas, o cantor cearense Raimundo Fagner, também enalteceu a preservação da identidade nordestina no São João de Campina.

Antes do show no Parque do Povo,  Fagner visitou a exposição sobre o Rei do Baião, instalada no Parque Evaldo Cruz, em Campina Grande.

Natasha Leoni e Tallys Andrade/ Arte Produções

A mostra é inspirada na obra “Luiz Gonzaga 110 anos de nascimento”, do pesquisador Paulo Vanderley, e traz uma linha do tempo que passeia pela vida e obra de Luiz Gonzaga, apresentando as décadas musicais, álbuns e itens do acervo pessoal.

Fagner já gravou discos com Luiz, interpretando sucessos do mestre, e por anos nutriu uma grande amizade que ia além dos palcos e estúdios.

Emocionado ao rever aspectos da vida e do legado de Luz Gonzaga no São João de Campina Grande, Fagner destacou a conexão profissional e cultural com a obra e o legado deixado pelo “rei do baião”.

“Eu gravei com muita gente, muito artista, mas o trabalho com o Gonzaga tinha algo mais, uma coisa da região, mais nossa, do amor dele pelo Ceará também. Pelas nossas raízes. Tinha um pouco a mais nisso. E felizmente isso ficou registrado nos discos”, comentou.

No Parque do Povo, após o seu show com um repertório repleto de clássicos que atravessam gerações, o cantor emocionou o público, o artista também falou da importância da festa para a preservação da cultura regional.

“As festas juninas, especialmente aqui em Campina Grande, onde venho há muitos anos, têm um significado enorme para mim. Estar aqui é sempre emocionante”, afirmou Fagner.

A conexão do São João de Campina Grande, com o passado e o presente, foi observado pelo cantor e sanfoneiro, Dorgival Dantas. No show que realizou na primeira semana da festa, Dorgival Dantas enalteceu o simbolismo dos festejos juninos. E falou da alegria em fazer parte da festa.

“É uma coisa que eu não sei nem explicar, fico muito feliz. Há dois anos atrás nunca imaginei estar no Maior São João do Mundo, e foi muito gratificante”, celebrou o artista, cuja história com a música vem desde os tempos de escola.

Foto: Artes Produções

Com a sua alegria, Dorgival Dantas, fez a poeira levantar tocando seu tradicional forró com uma sanfona que pertenceu ao “Rei do Baião”, Luiz Gonzaga. O cantor trouxe clássicos, como “Destá” e “Paixão Errada”, entre outros.

A predominância do autêntico forró pé-de-serra no Parque do Povo se traduz no som que brota nas Ilhas de Forró e no Palco Cultural. Nesses espaços, quem garante o arrasta-pé são os trios de forró. Ao longo dos 33 dias de São João, mais de 100 trios de forró devem tocar nas Ilhas, animando a festa ao som da sanfona, do triângulo e do zabumba. Para os visitantes e forrozeiros campinenses, as noites têm sido marcadas pelo ritmo que é símbolo do Nordeste. Nos diversos espaços do Quartel General do Forró, a exemplo das Palhoças Zé Lagoa e Zé Bezerra, e na Pirâmide que este ano completa 40 anos, artistas e grupos musicais levam ao público repertórios recheados de clássicos do forró, xote, baião e arrasta-pé.

Foto: PMCG

Severino Lopes

PB Agora

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