Por pbagora.com.br
 
 

“Os trabalhos da exposição apresentam composições distorcidas e aparentemente impossíveis, proporcionando possibilidades de percepção espacial diversas daquelas que experimentamos nas representações lineares da realidade”, contou em conversa a imprensa paraibana o artista plástico, Wellington de Medeiros, que está com a exposição “Inversa Perspectiva” em cartaz na Usina Cultural Energisa. Expondo um total de 30 obras, o artista ocupa a galeria com peças que vão de pinturas até objetos fazendo entre elas uma literalmente costura de paredes, pisos e partes do teto do espaço expositivo.

 

Os interessados em contemplar as peças de arte podem comparecer ao local desde a última terça até este domingo, das 14h às 20h com entrada franca até o dia 26 de fevereiro. “Minha pesquisa visual parte da investigação de formas de representação da realidade para além daquela que percebemos e registramos. Partindo de fotografias, observações e registros visuais de ambientes e objetos, me interesso em traduzir o que é tangível para signos visuais e pictóricos que desconstroem a complexidade visual cotidiana, explorando questões que tangenciam o representacional e o abstrato”, ressaltou o artista.

 

Em resumo, planos, sombras, cores e texturas compõem a linguagem visual presente nos trabalhos do artista. No entanto, sua linha de pensamento e sugestões de planos distorcidos presentes em muitas de suas obras são formas que o Wellington dá em suas esculturas efêmeras. Bebendo diretamente da fonte do teólogo ortodoxo, Pavel Alexandrovich Florensky, Wellington de Medeiros gosta de usá-lo como referência quando o assunto se refere a perspectivas. “A perspectiva não existe na realidade, sendo uma mera representação simbólica dessa mesma realidade. Por outro lado, a perspectiva inversa abre uma janela para a subversão da representação linear simbólica, propondo a percepção de novas realidades e perspectivas também composta de símbolos”, recordou o artista.

 

Sendo realizadas por meio da técnica de óleo sobre tela ou madeira, elaboradas a partir de fotografias de objetos e ambientes construídos onde estruturas aparentes instauram formas complexas, as imagens transportadas para as telas do artista adquiriram um caráter construtivo, porém de forma desordenada e caótica, onde a perspectiva é dissolvida em composições que, apesar de sugerir uma certa ordem, revelam-se também desordenadas, caóticas e complexas.

 

Já seu processo de criação deixa marcas das máscaras utilizadas para a construção das formas sobre a tela. Essas marcas “sujam” a superfície, agregando um valor espontâneo e de autenticidade à imagem. “As pinturas exigem um certo tempo de contemplação, quando seus elementos revelam-se aos poucos. O olhar segue linhas que por vezes sugerem caminhos seguros, mas que são desconstruídos no encontro com outros elementos dissonantes, desestabilizando a sensação de profundidade”, completou.

 

Além do processo de criação, o artista ressaltou dizendo que o processo de produção das obras é lento, justapondo e confrontando a ansiedade da busca pela construção da ordem e o reconhecimento e a aceitação da desordem impressa na superfície das obras.

 

 

Portanto, os desenhos encontrados na galeria trazem consigo um teor efêmero, pois o trabalho é resultante de extensões físicas lineares e componentes arquitetônicos. Os elementos do ambiente foram escolhidos para que sofram intervenções, extensões e aproximações. Desse modo, o trabalho num geral resulta em uma espacialidade nova materializada em linhas suspensas, possibilitando uma nova configuração para a galeria.


Redação