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Armandinho abre Carnaval do Estado no Fortim do Queijo

Existem música baiana e música baiana. A do trio elétrico Dodô & Osmar, que toca nesta sexta-feira, na programa do Fortim do Queijo [veja programação completa], já foi predominante no Carnaval da Bahia e tem forte parentesco com a música pernambucana. “Meu pai era filho de pernambucano e dizia que herdou o micróbio do frevo. Eu e meus irmãos, também”, diz Armandinho Macedo, filho de Osmar. Dodô, faleceu 15 de junho de 1978, e Osmar em 30 de junho de 1997. Armandinho, que já fazia parte do trio desde os anos 70, continuou o trabalho do pai, com os irmãos Aroldo, Betinho e André. Mas o Dodô & Osmar é o único deste tipo de trio, com instrumentos de cordas eletrificados, que ainda existe.

Os demais foram engolidos pelo furacão axé music, que tomou conta da Bahia a partir de 1985, com o surgimento de Luís Caldas: “Quando eu entrei o Dodô & Osmar voltou a ser trio, porque até então eram só os dois. Virou o trio Dodô, Osmar & Armandinho. Como eu e meus irmãos vínhamos de uma banda de rock, mudamos a formação instrumental do trio, criamos um rock brasileiro. O negócio atraiu uma galera nova. Moraes veio cantar com a gente, foi o primeiro cantor de trio, que só fazia música instrumental. Começaram a surgir cantores em trios. Com estilos musicais diferentes. Luís Caldas veio em 1985, e aí surgiu a axé e toda história do trio mudou”, historia Armandinho, virtuoso, que, aos 15 anos, tocando bandolim, venceu disputadíssimo concurso de instrumentista no extinto Programa Flávio Cavalcanti, o de maior audiência do País.

Os trios mudaram, mas o de Dodô & Osmar permanece fiel às suas tradições musicais, qual seja, ao frevo, à guitarra baiana, enfim ao estilo que consagrou o trio Brasil e mundo afora: “Este estilo é nossa marca, no nosso repertório predomina o frevo”, diz Armandinho que atribui a quase que total extinção dos trios elétricos, ao jabá. “É a música que a mídia divulga. Em Salvador hoje só dá pagode, nem a axé tem mais todo este espaço. Quem tem o poder aquisitivo tem o espaço do rádio, está tudo vendido, principalmente nas rádios populares. Outro tipo de música só toca em rádios culturais. Não há o menor controle, e a gente nunca entrou nessa”.

O trio Dodô & Osmar este ano vem sendo badalado na Bahia pela efeméride dos 60 anos de seu primeiro desfile pela rua Chile, Centro de Salvador. Armandinho mesmo admite que a data redonda é questionável: “O clube Vassourinhas foi à Bahia em 1951, mas meu pai contava que isto aconteceu em 1950, que quando eles viram o frevo ao vivo, viram que aquela música contagiava, e vinte dias depois saíram pelas ruas da cidade tocando frevos. Porém na verdade, uns dois anos antes disto acontecer, eles já usavam a fubica para tocar no Carnaval, porém estacionada na calçada. Quer dizer já havia o trio, ou melhor a dupla elétrica”.

O repertório que o trio apresenta é de frevos autorais, sucessos, como Pombo Correio, e outras músicas adaptadas à levada do frevo, como Brasileirinho (Waldir Azevedo) e o Bolero de Ravel: “A gente faz alguma coisa de samba-reggae. O samba-reggae é um frevo lento, acho ele ocupa o lugar da marcha de bloco no repertório do trio. A maioria do que tocamos é frevo, pode até haver algum reggae, samba-reggae, mas a base é o frevo”, diz Armandinho.

 

 

Uol

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