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A vida secreta das abelhas faz leitura light de história trágica

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O talento precoce da atriz Dakota Fanning sempre foi alvo de elogios desde sua estreia em “Uma lição de amor” (2001), quando interpretou a filha de um deficiente mental vivido por Sean Penn. Oito anos e vários filmes de arrancar lágrimas depois, a loirinha prodígio de Hollywood protagoniza “A vida secreta das abelhas”, longa baseado no best seller da autora americana Sue Monk Kidd, sobre uma adolescente que acidentalmente matou a mãe na infância e, além da culpa, é obrigada a conviver com o pai violento.

 

Leia a entrevista com a atriz Dakota Fanning

Deveria ser um prato cheio para Dakota, especialista em encarnar meninas fofas e sofridas, como fez em “Chamas da vingança” (2004) ou no polêmico “Hounddog” (2007). Mas, estranho, falta à atriz a carga dramática esperada para o papel da garota de 14 anos que vive em busca do perdão.

 

Tal necessidade a personagem Lily preenche quando foge de casa com a babá Rosaleen (Jennifer Hudson) e é acolhida por três irmãs apicultoras em uma cidadezinha da reacionária Carolina do Sul. Passada nos anos 60, em plena luta pelos direitos civis, a história também aborda o preconceito – que gera reações extremas – que a protagonista sofre por ser uma garota branca morando sob o mesmo teto de uma família de mulheres negras.

 

Ao contrário do livro, “A vida secreta das abelhas”, o longa, investe nas excentricidades das irmãs August, June e May – todas interpretadas com brilho por Queen Latifah, Alicia Keys e Sophie Okonedo – e quase deixa de lado os conflitos existenciais de Lily. O resultado é um filme de argumento dramático, mas que encontra seus bons momentos nas situações de humor.

Talvez a atuação rasa de Dakota tenha sido opção da diretora, Gina Prince-Bythewood, para tonar o filme mais leve. Mas é justamente na desesperada busca de Lily pelo perdão que está a beleza da história contada no livro – premiado com o Orange Prize.

A alternativa de enxugar o teor dramático do roteiro também pode ter sido escolha de Will Smith, um dos produtores do filme. Atual rei das bilheterias, o ator conhece como ninguém o poder que uma história levinha, que equilibra doses de drama e humor, tem sobre o público.

Estrelado por cantoras – Latifah, Alicia, e Hudson – “A vida secreta das abelhas” tem trilha sonora idas mais caprichadas. As canções do trio, as de Lizz Wright, Supremes e Impressions parecem mais coerentes com as páginas da obra de Monk Kidd do que a adaptação cinematográfica em si.

 

 

 

G1

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