Por pbagora.com.br
Igreja Matriz de Nossa Senhora da Glória, no Largo do Machado volta a celebrar missas com presença de fiéis

Em tempos de dor, medos e incertezas, é natural e esperado que cada um procure um caminho que lhe traga conforto, doses de confiança e a chance de encontrar a paz. Esta estrada é a da espiritualidade, lugar onde o real coexiste e tem conexão com algo maior e sagrado. Neste sentido especialistas comentam o papel da fé durante esse período de quarentena provocado pelo novo coronavírus.

Para a psicanalista Danit Zeava Falbel Pondé, essa “mudança invasiva que interrompe a continuidade de nosso cotidiano” pode implicar uma reação “de ordem passiva ou criativa”. Em sua avaliação, o coronavírus não tem um sentido por si próprio; são os seres humanos que têm a capacidade de dotá-lo de significados, e isso se origina “diretamente da nossa capacidade de construir um mundo interno”, disse a especialista, destacando ainda que essa habilidade envolve ainda uma outra: a de saber conviver com as dúvidas que surgem em momentos incertos.

É do ser humano buscar uma ligação com o divino, seja ele representado pela figura de Deus, por meio da religião ou, como bem cantou o mestre Gilberto Gil, a fé não precisa, necessariamente, estar ligada à doutrina. Essa força interior de uma crença poderosa pode ser nutrida em relação a uma pessoa, uma ideologia, à ciência, a um pensamento filosófico, um objeto inanimado.

Para a advogada e professora Maria Fernanda Pires de Carvalho Pereira, a quarentena é tempo de espera e de esperança: “Neste tempo de recolhimento forçado, a oração é um forte antídoto espiritual. Vivemos a cultura da pressa. Tudo nos é imediato. A fala, a vivência, as relações. No dia a dia corrido, mais reagimos do que agimos. Mais confrontamos do que enfrentamos. O tempo todo nos ocupamos de funções e impomos tantas outras aos que nos são próximos. De repente, a espera. E agora? O que fazer com todo esse tempo que obriga cada um a estar consigo?”.

Já o professor e padre Evandro Campos Maria, ressalta que a espiritualidade e a fé ajudam a superar limites e dificuldades e, ao mesmo tempo, provocam aprendizado e crescimento: “Têm relação com a pessoa de Jesus Cristo, que enfrentou a cruz, a morte, a solidão e o abandono e, neste momento, colocou a sua confiança no Pai. A fé nos associa a Jesus Cristo, nos ajuda na hora da incerteza. É tempo de confiar a causa da vida nas mãos de Deus. Sentir a sua presença. Ele não nos abandona, caminha conosco e aí temos a esperança e o amor”.

Padre Evandro lembra que a fé e a espiritualidade se fundem no coração das pessoas no meio da dificuldade, da luta e do medo provocados pela pandemia. “Por isso, gastando a vida, a solidariedade e o amor acontecem. Mesmo aquele que não tem a fé cristã, em Deus, ele tem a fé humana, em poder acreditar no homem, na ciência, no bem coletivo, na fraternidade”, comentou o padre.

Redação

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