Por pbagora.com.br

O corpo do cantor Zé Rodrix foi cremado no início da tarde deste sábado (23) no Cemitério da Vila Alpina, na Zona Leste de São Paulo. O compositor de “Casa no campo” (sucesso de Elis Regina) morreu na noite desta quinta-feira (21), na capital paulista, devido a um infarto agudo no miocárdio.

O velório aconteceu durante a noite desta sexta-feira (22) e a madrugada deste sábado (23) na GLESP (Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo), na Rua São Joaquim. José Rodrigues Trindade estava em casa, com a família, quando passou mal. Ele foi levado às pressas ao Hospital das Clínicas, na capital paulista. O artista tinha 61 anos e, segundo a mulher, estava muito bem de saúde.

Presente no velório, o cantor Zé Geraldo disse que Rodrix era “um grande amigo, generoso e amoroso” e que “era um grande e sensível compositor”. Eduardo Araújo, músico famoso na época da Jovem Guarda, lembra ternamente do amigo, dizendo que este “pode ser um momento de tristeza para nós, mas logo ele vai fazer uma festa no céu” – sentimento compartilhado pela esposa de Rodrix, Julia, que diz que “ele se vai feliz como sempre viveu”.

Zé Rodrix surgiu para o grande público nos festivais de música dos anos 60 – defendeu a música “Ponteio” ao lado de Edu Lobo e Marília Medalha em 1967, no III Festival de Música Popular Brasileira. Mas foi na década de 70, época de maior produtividade na música brasileira, que Zé Rodrix deixou sua marca.

Junto com Sá e Guarabyra, criou o chamado “rock rural” – nessa época, compôs com Tavito o grande sucesso “Casa no campo”. Cantou com Elis Regina e com o grupo Joelho de Porco. É dele também a canção “Soy latino americano”, e outras baladas ao piano.

Publicitário, Rodrix passou a se dedicar na década de 80 à criação de jingles para comerciais, até que em 2001 se reuniu com os antigos companheiros Sá e Guarabyra, lançando um CD comemorando os 30 anos de carreira. O cantor deixa mulher, seis filhos e dois netos.

Trajetória

Zé Rodrix formou em 1966 o conjunto Momento Quatro, com o qual gravou, no ano seguinte, um compacto simples contendo a faixa “Glória”, primeiro registro de uma composição de sua autoria.

Em 1967, o músico venceu o III Festival de Música Brasileira (TV Record) ao apresentar a música “Ponteio” com o quarteto, ao lado de Marília Medalha, Edu Lobo e o Quarteto Novo.

No Rio de Janeiro Zé Rodrix formou em 1970 o grupo Som Imaginário com Wagner Tiso, Robertinho Silva, Tavito, Luís Alves e Laudir de Oliveira. O grupo se apresentou ao lado de Milton Nascimento.

Rodrix desligou-se da banda em 1971. Naquele mesmo ano, venceu o Festival de Juiz de Fora com sua canção “Casa no campo” (com Tavito), que se tornou grande sucesso na interpretação de Elis Regina.

Ainda no início da década de 1970, participou, como compositor, da trilha sonora do filme “Como era gostoso o meu francês”, de Nelson Pereira dos Santos, e dos musicais “Tem piranha na Lagoa”, de Paulo Affonso Grisolli, e “Independência ou morte”, de Hélio Bloch.

Também em 1971 formou com Luiz Carlos Sá e Gutenberg Guarabyra o famoso trio Sá, Rodrix e Guarabyra. Com o trio, Zé Rodrix lançou o disco “Terra” em 1973. No mesmo ano o músico iniciou sua carreira solo, como LP “I Acto”.

De acordo com o “Dicionário Cravo Albin da Música Brasileira”, ainda na década de 1970 Rodrix participou, como compositor, das trilhas sonoras do musical “Miss (Apesar de tudo) Brasil”, da peça “O refém”, do filme “Motel” e das novelas da Rede Globo “O espigão” e “Corrida do ouro”. Mais tarde, em 1986, participou da trilha sonora da novela “Cambalacho”.

Em 1983, o músico passou a integrar o grupo Joelho de Porco, com o qual gravou o LP “Saqueando a cidade”.

Entre 1989 e 1996 assinou a direção musical dos espetáculos “Não fuja da Raia” e “Nas Raias da loucura”, de Sílvio de Abreu, e do programa “Não fuja da Raia” (Rede Globo), estrelado por Claudia Raia.

Em 1993 foi contemplado com o prêmio Kikito, no Festival de Cinema de Brasilia, pela trilha sonora do filme “Batman e Robin”.

Em 2001, Zé Rodrix voltou a se reunir com Sá e Guarabyra, apresentando-se no festival Rock in Rio. Nesse mesmo ano, o trio gravou o disco ao vivo “Outra vez na estrada”.

 

 

G1

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