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Tráfico do Rio diversifica negócio

Traficantes de drogas do Rio de Janeiro estão “diversificando” os negócios em busca de mais lucro. Os criminosos investem agora em outras modalidades de crimes, como assaltos a bancos e roubos de rua.

Os chefões do tráfico emprestam armas e acobertam criminosos que praticam assaltos a bancos e sequestros de gerentes das agências bancárias, segundo o titular da DRF (Delegacia de Roubos e Furtos), delegado Roberto Nunes. Em troca, os criminosos exigem, em média, cerca de 20% do dinheiro roubado.

Dois dos mais procurados traficantes fluminenses, Luciano Martiniano da Silva, o Pezão, e Fabiano Atanásio da Silva, o FB, que comandam o complexo do Alemão e a Vila Cruzeiro, na zona norte, respectivamente, “investem” em assaltos a banco.

A dupla responde a dois processos na Justiça por roubos a agências bancárias. Um deles terminou com a morte de um adolescente de 13 anos em 8 de julho do ano passado, na Vila da Penha, na zona norte. De acordo com os autos do processo, em troca de comissão, FB e Pezão emprestaram armas para o grupo dos ladrões de banco conhecidos como Twist e Átila – o último morreu em confronto com a polícia.

O outro assalto cometido pela dupla ocorreu em 3 de junho de 2009. Foi na agência do Unibanco, na Freguesia, em Jacarepaguá, na zona oeste, e rendeu R$ 15 mil para a quadrilha.

Roubo nas ruas e “gatonet”
 

Mas não são apenas assaltos a bancos que os traficantes investem. O chefão do tráfico na Rocinha, na zona sul, Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, incentiva os roubos nas ruas, por exemplo. Ele empresta armas para os criminosos e exige de 10% a 20% do lucro, mas faz uma ressalva: é proibido assaltar na sua área. Quem desobedece, sofre represálias.

Um dos chefes do tráfico no morro da Mangueira, na zona norte, conhecido como Manteiguinha, vai além: ele é especialista em roubos a joalherias. Um dos assaltos de que é suspeito é o da Montblanc, no shopping Higienópolis, em São Paulo, em 13 de janeiro.

Assim como a milícia, os traficantes também exploram a venda de gás e a distribuição de sinal de TV a cabo clandestina (gatonet) e extorquem dinheiro de motoristas de kombis. Todo o lucro obtido nesses serviços vai para a família do chefe do tráfico da favela.

Parte do lucro das drogas é lavado na compra de empresas falidas. As preferidas dos criminosos, segundo um policial civil, são confecções, lojas de autopeças, mecânicas, depósitos de bebidas ou de gás.

Em março passado, o Ministério Público divulgou que a quadrilha do traficante Nem era proprietária de lojas de autopeças e de gelo, uma gráfica, além de bares. Tudo estava em nome de laranjas.
 

R7

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