Uma “complexa instituição financeira sem autorização do Banco Central” que pratica supostos crimes contra o sistema financeiro ao gerenciar contas bancárias, conceder empréstimos, fazer operações no mercado paralelo do dólar e usar contas não declaradas no exterior.

Essa é a descrição que o delegado da Polícia Federal Carlos Alberto Dias Torres fez, em relatório parcial entregue ao juiz federal Fausto De Sanctis, das empresas administradas pelo investidor Naji Nahas, preso em julho e libertado por habeas corpus concedido pelo Supremo Tribunal Federal, informa reportagem de Rubens Valente, publicada neste sábado pela Folha (a íntegra está disponível apenas para assinantes do jornal e do UOL).

Torres e a delegada Erika Marena são os responsáveis pelo inquérito que investiga Nahas, o ex-prefeito paulistano Celso Pitta e outras 27 pessoas, tudo derivado da Operação Satiagraha –outros dois inquéritos têm como alvo o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity.

Segundo a reportagem, o relatório de 84 páginas, acompanhado de 50 páginas de anexos, descreve que Nahas movimenta pelo menos 13 empresas “que servem de fachada” para as operações de “lavagem de dinheiro”. “Normalmente Nahas não aparece nos quadros societários, mas sim parentes seus e pessoas de sua confiança”, afirma o documento.

Outro lado

O advogado Sérgio Rosenthal, que defende Nahas, disse que não comentaria as conclusões do relatório da Polícia Federal, mas questionou a legalidade da Operação Satiagraha, que deu origem ao inquérito.

Nahas se recusou a prestar depoimento à PF. “Toda essa investigação vem de uma operação que decorreu de interceptações telefônicas ilícitas, fora dos parâmetros que a lei determina”, alegou o advogado.

“Houve ilegalidades perpetradas pelo delegado Protógenes [Queiroz], especialmente a participação de 84 agentes da Abin”, disse o advogado. Sobre as conclusões da PF, Rosenthal disse que não gostaria de “entrar em pormenores”.

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