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Presidenciáveis lançam “cruzada” antidrogas por votos

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Tema recorrente em ano de eleições, o combate ao tráfico de drogas voltou a dominar o discurso dos pré-candidatos à Presidência nos últimos dias. Enquanto a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, foca na luta contra o crack – embarcando no recém-lançado plano federal para combater a droga -, o adversário José Serra (PSDB) prega a criação de um Ministério da Segurança Pública e aumenta a ofensiva contra a Bolívia, e Marina Silva (PV) defende uma “reforma geral” no setor.

Para especialistas ouvidos pelo R7, a discussão sobre o tema busca conquistar eleitores de todas as classes sociais que se sintam ameaçados, mas não chega a ser crucial para vencer as eleições. É o que diz o cientista político da Fesp (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), Aldo Fornazieri, que vê no eleitor da classe média o principal alvo do discurso.

– É um tema que preocupa a sociedade de um modo geral, mas não é o que define uma eleição. […] Como nas favelas isso faz parte do cotidiano dos moradores, que acabam tendo outras carências, é o eleitor de classe média quem mais se interessa pela questão.

Discursos

Embora possa não ser decisiva nas urnas, a luta contra o crack se tornou a “vedete” dos políticos em 2010. Pouco antes de o governo lançar um plano nacional para enfrentar a droga, na semana passada, Dilma já defendia uma abordagem específica para a questão. O governo, no entanto, nega que o programa tenha caráter eleitoreiro.

Para os especialistas, não é surpresa que o assunto ganhe destaque nestas eleições, devido à “epidemia do crack” que o Brasil enfrenta. Segundo o cientista político Lúcio Flávio Rodrigues de Almeida, da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica), os políticos apenas acompanham uma tendência natural de debate na sociedade. Estimativas apresentadas no início do mês à Câmara dos Deputados apontam que já passa de 1,2 milhão o número de usuários da droga no país.

Já José Serra possui outra abordagem, vem defendendo a criação de um Ministério da Segurança Pública e o fortalecimento da fiscalização das fronteiras – proposta rejeitada pelas duas principais adversárias na disputa.

O tucano também causou polêmica ao afirmar que o governo da Bolívia faz “corpo mole” para combater o narcotráfico. Para Fornazieri, a fala pode até atrair o eleitor mais conservador, mas induz ao erro.

– O problema do tráfico de drogas é nosso, e a saída não é simples. Não adianta cutucar um país ou outro.

Mais contida, a ex-ministra do Meio Ambiente tem evitado levantar bandeiras polêmicas, mas defendeu recentemente a realização de consulta popular para debater a questão da legalização da maconha. Para a pré-candidata verde, que ainda não deu detalhes sobre as propostas em relação ao combate à violência, o próximo governo deve criar uma “reforma com foco na vida”.

Almeida alerta, entretanto, para o risco da simplificação do debate sobre a luta contra a violência. Segundo ele, os eleitores devem ficar atentos aos políticos que vendem uma imagem de “salvador”, e buscar verificar o que cada um está propondo.

– Grande parte da população se sente vulnerável, principalmente quando ocorrem casos horrendos de violência. […] E ficam sensíveis a essa mensagem do “salvador”, mas que já começa mal porque não levanta um debate profundo sobre o tema.

De acordo com os dados mais recentes da Senad (Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas), de 2005, 22,8% da população já usou drogas ilícitas em algum momento da vida – segundo pesquisa feita em 108 cidades com mais de 200 mil habitantes. A maconha foi a mais citada entre os entrevistados: 8,8% responderam que já consumiram alguma vez a droga. Já o crack teria sido consumido por 0,7% da população em algum momento.

 

R7

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