O contingente de desempregados cresceu 20,6% entre dezembro e janeiro -o pior resultado para o mês desde 2003, apontou o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A taxa de desemprego subiu de 6,8% para 8,4%. A população desocupada, de 1,55 milhão para 1,89 milhão de pessoas nas seis regiões metropolitanas pesquisadas.

“Foi um mês cruel para o mercado de trabalho”, disse Cimar Azeredo, coordenador da pesquisa do IBGE.

No mês passado, com a crise instalada e em meio às demissões na indústria, a Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE havia informado que o desemprego em dezembro tinha caído de 7,6% para 6,8%.

Mais do que a taxa de desemprego em si -que não chegou a ser a pior para um mês de janeiro- chamou a atenção do IBGE o súbito aumento de pessoas procurando trabalho. “Nem quando estávamos em recessão, em 2003, houve variação tão forte”, disse Azeredo.

Pesaram para a piora no mercado de trabalho as demissões ocorridas na construção civil e no comércio. “No comércio já era esperado, porque depois de dezembro o setor normalmente demite. Chama a atenção o número de demissões na construção civil, em que a queda no contingente de ocupados de 4,7% foi a maior dos últimos sete anos.” Após as demissões de dezembro, a indústria manteve estável seu número de vagas.

Em janeiro, o rendimento médio real cresceu 2,2%, de R$ 1.290,30 para R$ 1.318,70. “É um efeito estatístico. Houve redução no número de empregados, e, entre eles, muitos recebiam baixos salários, porque eram da construção civil e do comércio”, afirmou Júlio Hegedus, economista-chefe da Lopes Filho Consultores. “A inflação menor em janeiro também corrói menos o salário”, disse a analista Ariadne Vitorino, da Tendências Consultoria.

Entre as regiões pesquisadas, São Paulo apresentou o maior crescimento no grupo de desempregados. A variação da taxa de desemprego foi de 32% -passou de 7,1% para 9,4%.

Entre as outras cinco regiões, o crescimento do grupo de desocupados também foi recorde para janeiro em Porto Alegre (19%) e em Belo Horizonte (16%). Nessas cidades, a taxa de desocupação ficou em 5,6% e 6,4%, respectivamente. No Rio, cresceu de 6,2% a 6,6%.

Confirmando o que o Ministério do Trabalho já havia apontado anteontem, a pesquisa do IBGE também mostrou a queda no emprego formal. Entre dezembro e janeiro foram eliminadas 129 mil vagas com carteira assinada, uma queda de 1,3% em relação a dezembro. Dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho, mostraram que foram cortadas 101 mil vagas.

Perspectiva sombria

A situação ainda será difícil para quem procurar emprego nos próximos quatro meses. A expectativa dos analistas é que o mercado de trabalho só melhore no segundo semestre.

“As demissões ainda se refletirão nos setores de comércio e serviços por, pelo menos, mais dois meses”, diz Fábio Romão, da LCA Consultores.
Para Hegedus, da Lopes Filho, “a indústria de eletroeletrônicos ainda pode demitir”.

FOLHA

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