Quando for julgar ação que sugere a inconstitucionalidade do Exame da OAB para os bacharéis em Direito que desejam exercer a profissão de advogado o Supremo Tribunal Federal começará com parecer favorável à tese.
É que o sub-procurador Geral da República, Rodrigo Janot Monteiro de Barros, deu parecer pela inconstitucionalidade do exame que tem reprovado anualmente mais da metade de todos os candidatos à prova.
Em linhas gerais, ele disse que a Constituição Federal veda qualquer restrição ao princípio constitucional do Direito à liberdade de trabalho, ofício ou profissão. Disse que para se exercer uma profissão a lei pode exigir “qualificações profissionais”, que na visão dele se adquire durante o curso de Direito.
“O Exame da Ordem não qualifica. No máximo, atesta a qualificação”, ponderou o sub-procurador.
Para ele, esse atestado de qualificação se exige mais em profissões que impõem riscos de morte. No caso do exercício advocatício, poderia ser feito de forma mais direcionada, mas durante o curso e que venha já a ser atestada no diploma do bacharel em Direito.
Comentário Nosso: No mérito, sou a favor do exame da Ordem, apesar de considerá-lo de fato entrave ao exercício profissional. Mas quem de fato estudou e se diz preparado pra enfrentar uma profissão não pode temer um teste que cobra conhecimentos sobre o que será exercido ao longo da vida. Não sou a favor, no entanto, tomando como base a tese que diz: “Sem o exame, um monte de advogado sem futuro vai encher o mercado”.
Ora, advogado bom se mostra no batente. E o cidadão tem o direito à escolha. Milhares de advogados podem se formar todos os anos. Se não for dedicado e competente, vai ficar de porta em porta atrás de cliente e terá dificuldades de fazer uma boa carreira. Como as opções são muitas, a seleção dos bons será natural. Como já o é em todos os ramos. O meu receio maior está no fato de que sem o Exame da Ordem as faculdades de Direito no Brasil, e são muitas, poderão afrouxar na qualidade do ensino, já que as obrigatoriedade do Exame acaba fazendo que as universadades, receosas de baixos índices de aprovação, cobrem mais de seus alunos. Aí sim teremos um baque na qualidade da profissão como um todo.
Abaixo o trechos do parecer da PGR:
1. A consagração da liberdade de trabalho ou profissão nas constituições liberais implicou na ruptura com o modelo medieval das corporações de ofícios, conduzindo à extinção dos denominados por Pontes de Miranda “privilégios de profissão” e das próprias corporações.
1. 2. O direito à liberdade de trabalho, ofício ou profissão, consagrado na CF de 1988, deve ser compreendido como direito fundamental de personalidade, derivação que é da dignidade da pessoa humana, concebido com a finalidade de permitir a plena realização do sujeito, como indivíduo e como cidadão.
2. 3. O inciso XIII, do art. 5º, da CF, contempla reserva legal qualificada, pois o próprio texto constitucional impõe limitação de conteúdo ao legislador no exercício da competência que lhe confere. A restrição ao exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, portanto, se limitará às “qualificações profissionais que a lei estabelecer.”
3. 4. A locução “qualificações profissionais” há de ser compreendida como: (i) pressupostos subjetivos relacionados à capacitação técnica, científica, moral ou física; (ii) pertinentes com a função a ser desempenhada; (iii) amparadas no interesse público ou social e (iv) que atendam a critérios racionais e proporcionais. Tal sentido e abrangência foi afirmado pelo STF no julgamento da Rp. nº 930 (RTJ 88/760) em relação à locução “condições de capacidade” contida no § 23 do art. 153 da CF de 1967 e reafirmado pelo Plenário da Suprema Corte na atual redação do art. 5º, XIII, da CF (RE 591.511, Rel. Min. Gilmar Mendes, DJe de 13.11.09), com a expressa ressalva de que “as restrições legais à liberdade de exercício profissional somente podem ser levadas a efeito no tocante às qualificações profissionais”, e que “a restrição legal desproporcional e que viola o conteúdo essencial da liberdade deve ser declarada inconstitucional.”
4. 5. A Lei nº 8.906/94 impõe como requisito indispensável para a inscrição como advogado nos quadros da OAB a aprovação no exame de ordem. Tal exame não se insere no conceito de qualificação profissional: o exame não qualifica; quando muito pode atestar a qualificação.
5. 6. O art. 5º, XIII, da CF traça todos os limites do legislador no campo de restrição ao direito fundamental que contempla. Por isso tem afirmado a jusrisprudência do STF que as qualificações profissionais (meio) somente são exigidas daquelas profissões que possam trazer perigo de dano à coletividade ou prejuízos diretos à direitos de terceiros (fim).
6. 7. A inobservância do meio constitucionalmente eleito — das especiais condições estabelecidas pelo constituinte — resvala em prescrições legais exorbitantes, consubstanciando inconstitucionalidade por expressa violação dos limites da autorização constitucional, sem necessidade de se proceder a um juízo de razoabilidade para afirmar o excesso legislativo. Doutrina.
7. 8. O direito fundamental consagrado no art. 5º, XIII, da CF assume, sob a perspectiva do direito de acesso às profissões, tanto uma projeção negativa (imposição de menor grau de interferência na escolha da profissão) quanto uma projeção positiva (o direito público subjetivo de que seja assegurada a oferta dos meios necessários à formação profissional). Constitui elemento nuclear de mínima concretização do preceito inscrito no art. 5º, XIII, da CF, a oferta dos meios necessários à formação profissional exigida, de sorte que a imposição de qualificação extraída do art. 133 da CF não deve incidir como limitação de acesso à profissão por parte daqueles que obtiveram um título público que atesta tal condição, mas sim como um dever atribuído ao Estado e a todos garantido de que sejam oferecidos os meios para a obtenção da formação profissional exigida.
8. 9. O exame de ordem não se revela o meio adequado ou necessário para o fim almejado. Presume-se pelo diploma de Bacharel em Direito — notadamente pelas novas diretrizes curriculares que dá ao curso de graduação não mais uma feição puramente informativa (teórica), mas também formativa (prática e profissional) — que o acadêmico obteve a habilitação necessária para o exercício da advocacia. A sujeição à fiscalização da OAB, com a possibilidade de interdição do exercício da profissão por inépcia (Lei nº 8.906/94, art. 34, XXIV c/c art. 37, § 3º), se mostra, dentro da conformação constitucional da liberdade de profissão, como uma medida restritiva suficiente para a salvaguarda dos direitos daqueles pelos quais se postula em juízo, até mesmo porque tal limitação se circunscreve ao exercício, sem qualquer reflexo sobre o direito de escolha da profissão. De qualquer modo, nada impede que a OAB atue em parceria com o MEC e com as IES, definindo uma modalidade mais direcionada de qualificação profissional que venha a ser atestada pelo diploma.
9. 10. A exigência de aprovação no exame de ordem como restrição de acesso à profissão de advogado atinge o núcleo essencial do direito fundamental à liberdade de trabalho, ofício ou profissão, consagrado pelo inciso XIII, do art. 5º, da Constituição Federal de 1988.
10. 11. Parecer pelo parcial provimento do recurso extraordinário.
Blog Luis Torres
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