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PF vai apurar vazamento de dados bancários de Lula

 A Polícia Federal deverá abrir um inquérito para apurar as razões do vazamento de um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras). Dados do relatório foram publicados pela revista “Veja”. Segundo a reportagem, a empresa de palestras do ex-presidente Lula faturou R$ 27 milhões entre 2011 e 2014.

O assunto foi discutido pela presidente Dilma Rousseff e Lula em reunião no sábado em Brasília. Dilma considerou grave o vazamento de um relatório do Coaf, órgão do Ministério da Fazenda.

 

Pelo que o governo apurou, o levantamento do Coaf não foi feito a pedido dos investigadores da Lava Jato. Teria partido do Ministério Público Federal, mas de uma investigação diferente. É importante identificar que investigação pediu tais dados a fim de esclarecer se houve justificativa para a quebra do sigilo bancário e fiscal do ex-presidente.

 

Por ora, o governo afastou a hipótese de que o vazamento tenha sido feito pela Polícia Federal, pois ela não teria tido conhecimento do relatório.

*

Os protestos de ontem não tiveram força para impulsionar as articulações pela saída da presidente Dilma Rousseff do poder. Para um governo em crise, é uma boa notícia.

 

Diante das previsões de um agosto sombrio para Dilma, as manifestações de ontem deveriam ter sido a pá de cal no seu governo. Havia um temor do Palácio do Planalto, no início de agosto, de um protesto que poderia mobilizar o Congresso a abrir um eventual processo de impeachment.

 

Apesar do número de pessoas ter sido menor do que em 15 de março, a quantidade de manifestantes que saiu ontem às ruas não pode ser ignorada pelo governo.

 

Dilma vai procurar acelerar seu entendimento com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para tentar reorganizar suas forças no Congresso. E entrará em compasso de espera, aguardando uma fornada de denúncias do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra um grupo de políticos investigados no Supremo Tribunal Federal por causa da Lava Jato. Há expectativa de que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, seja atingido e que isso enfraqueça ainda mais manobras pró-impeachment.

 

Já a oposição participou mais ativamente das manifestações de ontem. O PSDB fez convocações. Ainda veremos se foi um movimento pontual ou se haverá uma aproximação mais efetiva entre a oposição e os movimentos que organizaram as manifestações.

 

Em resumo, apesar de ser negativo para qualquer governo ter tanta gente protestando nas ruas, a saída da presidente Dilma do poder hoje é uma possibilidade menor do que era há 15 dias. Dilma ganhou fôlego. A crise política diminuiu, mas não acabou.

 

Blog do Kennedy

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