Os petroleiros de todo o Brasil começaram a entrar em greve desde o fim de semana, mas a maioria paralisou as atividades a partir da zero hora desta segunda-feira (23), segundo informações da Federação Única dos Petroleiros (FUP). A paralisação foi aprovada pelos trabalhadores na última quarta-feira (dia 18) e endossada por todos os seus sindicatos filiados na reunião do Conselho Deliberativo.

 

Segundo a FUP, além de não responder às reivindicações da federação referentes principalmente à segurança, garantia dos postos de trabalho nas empresas contratadas e ao extra-turno, a proposta apresentada pela Petrobras na última segunda-feira (dia 16) cria um plano de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) inaceitável.

 

Na semana passada, diante do anúncio da greve, o diretor de abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, já havia informado que a empresa teria um plano de contigência preparado para evitar redução da produção de petróleo. Ele descartou risco de desabastecimento de combustíveis no período da paralisação dos petroleiros. “Há outras estratégias, estoques que podem ser acionados”, comentou. Procurada pelo G1 nesta segunda-feira, no entanto, a Petrobras informou que só deverá se manifestar sobre o assunto no período da tarde.

Paralisações

No estado de São Paulo, segundo o Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo (Sindipetrosp), as refinarias de Campinas estão com cerca de 1.200 trabalhadores de braços cruzados. Em Mauá, são 500 funcionários parados.

 

De acordo com o Sindipetrosp, os funcionários não estão trabalhando nos terminais de São Caetano do Sul, Guarulhos, Guararema, desde as primeiras horas de hoje, assim como nas refinarias do litoral, nos terminais da Transpetro, em Capuava e Paulínia.

 

Na Replan, a gerência da Refinaria adotou o revezamento controlado “troca de turno de um trabalhador por vez”, e em Barueri, a diretoria tentaria realizar corte de rendição na manhã de hoje, segundo o sindicato.

 

De acordo com o sindicato, em algumas refinarias a produção é controlada com a paralisação do bombeio, como em Guarulhos, produzindo o mínimo para não afetar a população. Além dos petroleiros, a adesão dos caminhoneiros que transportam o combustível também é esperada. Funcionários terceirizados de algumas unidades também aderiram à paralisação, segundo o sindicato.

 

No Rio de Janeiro, funcionários da Refinaria Duque de Caxias (Reduc), na Baixada Fluminense, entraram em greve à meia-noite de domingo (22). Segundo representantes do sindicato dos operários da refinaria, com a paralisação, não houve rendição de turno após a meia-noite. Os ônibus que deveriam transportar os funcionários chegaram e saíram vazios.
 

Bahia e Paraná

Os trabalhadores da Refinaria Landulpho Alves, na Bahia, cortaram a rendição às 15h30 de ontem. Os petroleiros anteciparam a greve devido ao fato de a Petrobras ter ingressado na refinaria uma equipe de gerentes e supervisores.

 

Petroleiros da Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, na região metropolitana de Curitiba, que entrariam no turno desta manhã, aderiram à greve nacional da categoria e estão concentrados em frente à unidade.

 

Eles afirmam que quem fechou as portas foi a direção da Repar. “Nós queremos entrar para exercer o direito de greve no nosso posto de trabalho”, disse o presidente do Sindicato dos Petroleiros do Paraná, Silvaney Bernardi. “Queremos exercer nosso direito de pelego e entrar na unidade.” A intenção dos petroleiros é controlar internamente a produção. Os petroleiros esperam que a direção da Repar os chame para uma mesa de negociação.

 

G1

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