A Paraíba o tempo todo  |

Pesquisa mostra os dependentes de celular

Se você tivesse que passar várias horas sem celular e sem internet, completamente desconectado, você sentiria medo? A pesquisadora do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Anna Lúcia Spear King, comparou pacientes com um transtorno de ansiedade conhecido como síndrome do pânico, com pessoas completamente saudáveis, para saber o que eles sentiam quando ficavam sem o aparelho celular.

 

Entre os pacientes com pânico, a maioria demonstrou ter também a nomofobia, ou seja, dependência do celular. A surpresa foi o resultado entre os que se diziam saudáveis: 34% confessaram sentir ansiedade e 54 % disseram ter medo de passar mal na rua se ficarem sem o aparelho.

 

 

“A nomofobia se caracteriza por um medo do indivíduo de ficar incomunicável ou desconectado. Medo geralmente, por exemplo, se ele perde o telefone celular, isso gera nele ansiedade até com sintomas físicos. Ele pode sentir taquicardia, falta de ar, suores frios e dores de cabeça”, explica o psicoterapeuta Carlos Eduardo Brito.

 

“É como se fosse uma fumaça, e nós temos que buscar o local do fogo. Através daquele sinal que a pessoa está dependente de celular, pode ser que ali por trás tenha um transtorno de ansiedade”, diz a psicóloga Anna Lúcia Spear King.

 

Um notebook, um computador de mesa, dois telefones celulares, sendo que um deles também recebe e-mail e se conecta com a internet. E o empresário Carlos Eduardo Bráz consegue usar tudo ao mesmo tempo.

A vida da a estilista Janara Morenna não é muito diferente: “O celular é minha coleira eletrônica. Falando nisso estou preocupada com a bateria”.

Quando Cadu sai do escritório, traz os dois celulares e o notebook na bolsa, mas se alguém ligar para ele, o relógio celular toca e ele atende. “Dependente é palavra forte, mas eu necessito muito”, admite o empresário Carlos Eduardo Braz.

 

No caso do celular ele pensa que vai receber alguma notícia importante e que não vai ser acessível a ele porque está desconectado, que pode perder o grande lance da vida dele, ou uma notícia urgente. O indivíduo começa a ter pensamentos dessa maneira, e ele não consegue se afastar do celular sempre na iminência de que uma coisa muito importante pode acontecer, exatamente naquele momento em que ele está afastado do celular.

Os dois entregam os celulares e os computadores. Enquanto os eletrônicos eram carregados, percebemos uma fraude. “Ele estava trazendo um computador escondidinho, esse vai embora também”.

Eles entraram no hotel, fizeram massagem para relaxar, e duas horas depois… “Estou tranquilo, por enquanto não tenho nada”, diz o empresário Carlos Eduardo Braz.

“Eu acho que estou com algum problema porque ouvi o celular tocar umas 10 vezes. Aí eu lembrava, gente, eu não estou com o celular”, aponta a estilista Janara Morenna.

Mais algumas horas se passaram. Cadu ficou bem. E a Janara? Será que mesmo nesse paraíso continua pensando, ouvindo o celular?

“Estou angustiadíssima, minha mão chega a estar brilhando de ansiedade de ficar presa aqui sem fazer nada, email, celular”, descreve a estilista Janara Morenna.

Mas no dia seguinte, depois de 24 horas desconectada, não é que o tratamento deu resultado? “Estou tranquila, acordei, fui para a piscina. Dá uma liberdade, até da expectativa de alguém me procurar. Me senti mais solta, mais leve”, compara a estilista.

Você está precisando de uma desintoxicação de celular ou internet? Será que está sofrendo de nomofobia? Faça este teste.

1 – Você abandona tudo que está fazendo pra atender o celular?
2 – Nunca deixa o aparelho desligado ou sem bateria?
3 – Está sempre tirando o celular do bolso ou da bolsa pra ficar com ele nas mãos?

4 – Já interrompeu um momento íntimo, até uma relação sexual, pra atender o telefone?
5 – Se esquecer o celular em casa, você volta para buscá-lo?
6 – Entra em pânico quando acaba a bateria, perde ou pensa que perdeu o celular?

Se você respondeu sim a pelo menos quatro perguntas, cuidado. Você pode estar sofrendo com nomofobia. E pode estar precisando de um tratamento médico para ter mais autocontrole e reduzir a ansiedade.

 

G1

    VEJA TAMBÉM

    Comunicar Erros!

    Preencha o formulário para comunicar à Redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta matéria do PBAgora.

      Utilizamos ferramentas e serviços de terceiros que utilizam cookies. Essas ferramentas nos ajudam a oferecer uma melhor experiência de navegação no site. Ao clicar no botão “PROSSEGUIR”, ou continuar a visualizar nosso site, você concorda com o uso de cookies em nosso site.
      Total
      0
      Compartilhe