OPINIÃO: Mas afinal, que país é esse?

Por Severino Lopes

Quando compôs essa canção há mais de três décadas atrás, o poeta não tinha noção que chegaríamos a 2022 com uma realidade tão cruel. Dolorida. Angustiante. Mas afinal, que país é esse? É o país da indiferença, da injustiça social, do machismo, do preconceito e do racismo.

O país do desrespeito em que é normal se xingar mulher e jornalista; desdenhar das mulheres “feias” dos adversários e ridicularizar os rastafári, negros, e “gordinhos”. O país em que se exalta a bandeira, canta o hino nacional, presta referência ao patriotismo, mas não se está nem aí pelos milhões de miseráveis que morrem de fome nas ruas.

É o mesmo país, que na celebração de sua “independência” o líder maior, exaltou o seu “pinto”, e teve o seu feito heroico, aplaudido e ecoado alto por milhares de vozes ao redor do Palácio Central. Que não respeita a imprensa livre, a independência do Supremo Tribunal Federal e do Poder Legislativo,

Este é o meu país? Um país que passou quatro anos reclamando do preço alto da gasolina, da inflação galopante, do aumento da cesta básica, mas de repente , em uma espécie de “mágica”, se transformou no “país da maravilha”.

É o país que fala com convicção dos valores éticos e morais, que exalta a família, que condena homossexuais, mas se mantém insensível às milhares de vidas perdidas pela covid. Da insanidade, estupidez e ignorância. Que classificou o nascimento da filha “como uma fraquejada”.

Que negou a vacina; simulou falta de ar das pessoas que sucumbiram ao vírus, devido a falta do precioso oxigênio. Este é o único país do mundo em que uma simples “gripezinha” botou milhares de pessoas para a cova. O país que não teve sensibilidade com as famílias enlutadas e não quis sepultar ninguém. Afinal, “não era coveiro”.

O país que defende a vida, mas é a favor das armas fabricadas para matar. Que defende a volta da ditadura e dos tanques nas ruas para esmagar os que divergem destes atos insanos.

Será que este é mesmo o meu país? O país que matou Marielle, o indigenista Bruno Pereira, o jornalista Dom Phillips. Ah! Estes, morreram por se arriscarem em uma “aventurazinha”. Brincadeira de criança! Perderam a vida de graça.

E este o meu país? Que devasta a Amazônia, tenta arrancar os índios de sua terra; que desconhece o legado de Paulo Freire, mas enaltece os feitos monstruosos do coronel Brilhante Ustra, e outros fascistas, carrascos e torturadores da história. O país que incita a violência, que desrespeita quem pensa contrário. O território verde amarelo da intolerância, da agressão, do desamor e do descaso com a vida.

Este é o país do esquecimento e da ingratidão. Que esqueceu que um dia foi tirado do “mapa da fome”. Que teve a garantia de moradia, acesso a filhos de trabalhadores da universidade, comida na mesa, dignidade a seus filhos e conquistou respeito e admiração internacional.

Um instante. Lembrei! É o país “penta campeão”. Vamos celebrar, e que venha o hexa!. O país do samba, do futebol, das mulatas e do carnaval. O país do “imbrochável”, da gripezinha, das “maricas” da “frescura e do mimi”, em que tomar vacina pode correr o risco de virar “jacaré”. Que agora, devido às eleições, faz meia culpa, e admite ter dado uma “aloprada” por recusar a vacina. É o gigante pela própria natureza, em que alguém come pizza na calçada, toma caldo de cana, mas esbanja na aquisição de seu patrimônio comprado com “dinheiro vivo”.

Oh “pátria amada idolatrada como você precisa mudar e ser mais sensível com os seus filhos. O país em que alguns donos das “Havans” da vida, ficam “deitado eternamente em berço esplêndido”, e ao som do mar e à luz do céu profundo, enquanto outros, choram, e ao relento, sonham com um Brasil mais humanizado.

 

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