Por Eliabe Castor

O Brasil acordou mais sorridente hoje. A Anvisa aprovou, de maneira emergencial, o uso das vacinas CoronaVac, produzidas pelo Instituto Butantan com o laboratório chinês Sinovac, e AstraZeneca, desenvolvida pela Universidade de Oxford com a Fiocruz. Interessante observar que tal “pressa” na aprovação é um, digamos, efeito benéfico da ridícula guerra política envolvendo o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), e governador de São Paulo, João Dória (PSDB), desafeto pessoal do inquilino do Palácio do Planalto.

A enfermeira Mônica Calazans, de 54 anos, foi a primeira brasileira a ser vacinada contra a Covid-19. Mônica recebeu a dose da CoronaVac. Uma cena emocionante, épica e, de forma estranha, patética, pois João Dória estragou tudo. Ao levantar os braços e aplaudir aquele momento histórico, ele estava aplaudindo sua vitória sobre Bolsonaro, que sempre menosprezou a imunizante chinesa, que para ele é o próprio símbolo do comunismo.

João Dória “engoliu” Jair Bolsonaro. Desmoralizou politicamente o chefe do Executivo brasileiro. Mas e o povo? Bem, ele espera que a vacinação seja realizada de forma eficaz, sem atrasos, beneficiando todos. Não pode haver distinção. Beneficiar uns e punir outros na chamada fila de espera. O brasileiro está esgotado. Não suporta mais uma polarização política que vem levando uma nação de dimensões continentais para a vala.

A mesma vala que estão sendo jogados amazonenses pela Covid-19 e, absurdo maior: por não poderem respirar. Por cilindros de um gás precioso estarem vazios, vazios de um gás vital para a vida. Um gás chamado oxigênio.

Contudo, esse mesmo povo; ou grande parcela da sociedade, tem certa culpa pela desgraça que assola o Brasil. Um povo incapaz de enxergar que a pandemia está longe de ser sepultada. Antes da sua morte, ela matará centenas de milhares aqui e alhures.

Sim, pois não é só o brasileiro que tem em seu “DNA” a teimosia correndo por suas veias. Humanos que vivem em países ricos, dotados de elevado Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), parecem não compreender a letalidade do novo coronavírus. Eles, seres teoricamente dotados de mais informações que os nativos do Brasil, não mantêm o distanciamento social e pouco ou nada seguem as regras básicas voltadas à sua proteção em relação à Covid-19.

Por fim, retirando Dória e Bolsonaro do cenário, sorrio pelo sorriso de Mônica Calazans. Pelo afinco de toda a comunidade científica em buscar vacinas que possam estancar a pandemia. Pelo sorriso e dedicação dos profissionais de saúde que estão na linha de frente lutando contra um inimigo invisível. Pelo sorriso nosso, nosso sorriso exterior e interior. Mas lembro novamente: é preciso cada um fazer a sua parte para que se possa sorrir, novamente, sem medo. É hora de um novo tempo!

Por Eliabe Castor