São três as hipóteses investigadas pela Aeronáutica para a queda de um avião de pequeno porte, no Amazonas, no sábado (7): falta de combustível, querosene adulterado e excesso de peso. Ao todo, 24 pessoas morreram. Uma família havia fretado a aeronave para ir a uma festa. Quatro passageiros sobreviveram.

 

Os corpos dos mortos chegaram a Coari (AM) no fim da tarde de domingo (8). Durante toda a madrugada desta segunda-feira (9), centenas de pessoas acompanharam o velório coletivo. Dezessete das 24 vítimas estão sendo veladas no ginásio de esportes da cidade. O enterro será pela manhã.

 

O acidente ocorreu na tarde de sábado. O avião bandeirante decolou de Coari às 13h (horário local) com destino a Manaus. Uma hora depois, o piloto entrou em contato com a torre de controle de Manaus e avisou que ia voltar por causa da forte chuva. Em seguida, o avião desapareceu dos radares do centro de controle aéreo.
 

 

Sobreviventes dizem que, logo depois deste contato, uma das hélices parou de funcionar e o avião começou a perder altitude. Como havia uma pista de pouso a cerca 500 metros do local do acidente, o piloto pode ter tentado um pouso forçado, mas não houve tempo. O avião caiu no Rio Manacapuru e afundou rapidamente.
 

 

Sobrevivente

Brenda Dias Moraes conseguiu abrir a porta de emergência quando o avião já estava submerso: “Antes de cair eu já estava olhando a porta de emergência, mas o que me segurou foi Deus. Eu vi muita gente gritando: ‘abre a porta de emergência’. Não conseguia ver nada à minha frente. Eu tenho certeza que eu fui guiada.”

 

Os outros três sobreviventes foram ajudados pelo pescador Edmilson Viana, que estava perto do local do acidente. “A vontade foi grande para resgatar mais vivos. Não pude fazer nada, porque não tive fôlego”, conta.

 

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos já começou a apurar as causas do acidente. Já foi encontrada a caixa CDL, que registra as gravações de voz na cabine e será analisada por um técnico que chega nesta segunda de Brasília. O depoimento dos sobreviventes será fundamental.

 

 

Ana Lúcia Lauria relembra junto à família dos momentos de agonia ao tentar sair do avião debaixo d’água. “Quando eu abri os olhos e me soltei do cinto de segurança, vi que todas as cadeiras estavam para frente. Virei na direção do quadrado que consegui ver, da claridade do dia. Me dirigi por ali e saí do avião”, lembra.

 

“É um nascimento na extensão da palavra, embora o coração esteja apertado em saber que tantos outros que infelizmente deixaram suas vidas neste acidente”, comenta o marido da sobrevivente, Marcos Buchidid.
 

 

Capacidade

A aeronave tinha capacidade para 18 passageiros e dois tripulantes, mas 28 pessoas estavam a bordo. Segundo o vice-presidente da Manaus Táxi Aéreo, Marcos Pacheco, empresa que era dona da aeronave, o excedente era de crianças de colo e por isso não teria causado sobrepeso. Ele afirmou ainda que como o voo era fretado, não tem como controlar a quantidade de passageiros que embarcou no avião. “É complicado ter o controle, porque é como alugar um carro. Você manda o operacional e a pessoa utiliza dentro dos limites pré-estabelecidos”, diz Pacheco.

 

Segundo a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), o piloto é o responsável pelo controle da quantidade de passageiros, o que não isenta a responsabilidade final da empresa aérea dona do avião. Ainda de acordo com a agência, podem ir no colo passageiros com até 2 anos.

 

 

Entre as vítimas há crianças de 14, 12, 7 e 6 anos de idade. Para o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, no entanto, mais importante que o número de passageiros é o peso da aeronave. “Em um primeiro momento, o que interessa para gente é conhecer o peso com o qual a aeronave estava voando. Isso é que é o fator limitador. A partir daí, a gente pode até depois ver se houve excesso de passageiros ou não, mas o relevante é o peso”, explica o vice-chefe do Cenipa Fernando Camargo.

 

Um especialista de Brasília chegou ao local na noite de domingo. A caixa-preta já está com os peritos. Ela foi encontrada intacta. Se não puder ser decodificada no Brasil, deve ser enviada a uma agência de investigação de acidentes aeronáuticos nos Estados Unidos.

 

Também é aguardado um engenheiro da fabricante do avião. Ele vai acompanhar o desmonte da aeronave.

 

G1

 

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