O promotor agrário estadual Édson Guerra vai convocar a Ouvidoria Agrária Nacional na busca de uma solução para a região de São Joaquim do Monte, no agreste pernambucano, palco de um conflito que resultou na morte de quatro seguranças da Fazenda Consulta, por trabalhadores sem-terra ligados ao MST, na tarde do sábado. Um trabalhador sem-terra ficou ferido. Ele é um dos acusados dos disparos e está foragido.

“O conflito social na área é muito grande, se arrasta há mais de quatro anos, com constantes ocupações, despejos judiciais e reocupações e não parece ter solução pacífica”, afirmou Guerra.

Em nota, o MST pede garantia de vida ao poder público para as famílias acampadas na área e a desapropriação das fazendas Consulta – onde ocorreu o conflito – e Jabuticaba, onde os acampados estão concentrados. As duas propriedades estão situadas em São Joaquim do Monte. “As famílias acampadas estão sob ameaça de morte permanente”, diz a nota.

O líder do MST, Jaime Amorim, destacou a vulnerabilidade das cerca de 80 famílias que resistem no acampamento. Ele disse, por telefone, temer a reação “por parte das famílias dos pistoleiros mortos e dos que não morreram”.

Amorim havia divulgado que representantes do Incra e da promotoria agrária estadual se reuniriam hoje) com o movimento em Caruaru, a 135 quilômetros do Recife, onde fica a sede do MST. A superintendência do Incra disse desconhecer tal reunião e que iria a São Joaquim do Monte na quarta-feira. O promotor agrário também não sabia do encontro.

Édson Guerra compartilha, no entanto, do temor dos trabalhadores quanto a eventuais represálias, uma vez que os sem-terra insistem em permanecer no local depois do conflito.


Agência Estado

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