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Motorista do goleiro Bruno é solto durante a madrugada em MG

Flávio Caetano de Araújo, motorista do goleiro Bruno de Souza, foi solto na madrugada deste sábado. Flavinho, como é chamado, estava preso na Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem (MG). Réu no processo de desaparecimento de Eliza Silva Samudio, Flavinho estava preso desde o dia 9 de julho.

Proibido de falar com a imprensa por seu advogado, Antônio da Costa Rolim, o motorista saiu da penitenciária por volta das 2h30 e se dirigiu para sua casa no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, região metropolitana de Minas Gerais.

O advogado Antônio da Costa Rolim disse na tarde de sexta que a juíza Marixa Fabiane revogou a prisão preventiva de Flávio. Uma fonte do Terra afirmou que o promotor de Justiça Gustavo Fantini excluiu o motorista de Bruno do pedido de júri popular.

Fantini protocolou, no final da tarde desta sexta-feira, no Fórum de Contagem (MG), o relatório com as alegações finais da denúncia que fez à Justiça contra o goleiro Bruno e os outros nove réus acusados da morte de Eliza Samudio.

O Tribunal de Justiça (TJ) de Minas Gerais informou que somente na próxima segunda-feira vai divulgar as informações contidas no documento. A partir de segunda, os advogados de defesa têm cinco dias para também entregar no Tribunal do Júri de Contagem as alegações finais. Até o próximo dia 10 de dezembro a juíza deverá anunciar a decisão de pronúncia ou não dos réus. A magistrada tem a prerrogativa de mandar a júri popular todos ou apenas alguns dos acusados.

O caso

Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno responderá como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação da atual amante do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida.

O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.

 

 

 

Terra

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