Após o protesto contra a demora na votação do Plano Diretor Estratégico (PDE), integrantes de diferentes movimentos sociais decidiram passaram a madrugada desta quarta-feira (30) em vigília dentro e fora da Câmara Municipal de São Paulo, no Viaduto Jacareí, no Centro. Eles aguardam a sessão extraordinária que acontece nesta manhã, como mostrou o Bom Dia São Paulo.
Manifestantes temiam que acontecesse alguma sessão sem a presença de representates dos movimentos sociais. Grupos ligados aos movimentos dos sem teto cobram agilidade na aprovação do plano, que atende a várias de suas demandas como a criação de novas áreas para a construção de moradias populares.
A tramitação do projeto foi suspensa na noite desta terça-feira porque os vereadores avaliaram que é melhor aguardar a publicação de emendas ao texto (algumas com mais de 500 páginas) do que tentar ler cada uma das peças em plenário.
A decisão provocou revolta entre sem-teto que aguardavam a votação. Do lado de fora, houve depredação e vandalismo. Um policial e dois operários ficaram feridos. Do lado de dentro, manifestantes arrancaram peças de mármore da galeria do plenário e ameaçaram jogar nos vereadores, que ficam em um pavimento abaixo.
Ao menos três pessoas passaram por atendimento médico na Câmara. Duas pessoas alegaram ter ficado feridas por bombas jogadas pela polícia, enquanto um PM contou ter sido ferido por uma pedrada.
Sessão de madrugada
A Câmara terá uma sessão à 0h05 para reinstalar a sessão, que será novamente suspensa por 10 horas, para dar tempo de as emendas serem publicadas no Diário Oficial. A ideia é retomar a votação nesta quarta. “Como há entendimentos de que não vai haver novos votos em separado e não vai haver novos substitutivos, isso torna a coisa muito mais simples”, disse Américo.
Grupos que lutam por moradia cobram a rápida aprovação do texto para que sejam criadas novas áreas para construção de moradias populares em terrenos onde atualmente há ocupações.
No fim de março, após ter a sede da Prefeitura cercada por manifestantes, o prefeito Fernando Haddad (PT) disse que cederia parte do terreno atualmente tomado pela ocupação “Nova Palestina” se o PDE fosse aprovado na Câmara e pediu que os grupos pró-moradia acompanhassem o trabalho dos vereadores.
A ocupação “Nova Palestina” está em uma área protegida por decreto e que deve ser transformada em parque. Na ocasião, Haddad condicionou a revogação do decreto à aprovação das novas Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis) na cidade. As zeis são zonas onde é possível construir unidades habitacionais. As novas Zeis ficarão definidas no projeto do novo Plano Diretor.
Alguns vereadores da oposição culparam o prefeito pela confusão. Isso não é manifestação. É terrorismo”, disse, em nota, Gilberto Natalini (PV). “Responsabilizo o prefeito Fernando Haddad, que há alguns dias insuflou tais movimentos a vir coagir os vereadores, numa atitude irresponsável e demagógica.”
O PT reagiu. Em nota, o partido disse que repudia a tentativa de responsabilizar Haddad. Segundo a nota, se houve responsabilidade, foi da própria oposição, “que de todas as maneiras possíveis obstruiu o andamento da discussão usando artifícios para impedir o debate do texto do projeto”.
Vítimas
O capitão da PM, Henriques Júnior, disse que foi ferido no supercílio direito por uma pedrada. “Parte dos manifestantes atirou fogo em frente ao portão principal e nossa equipe que é composta por policiais do policiamento e do Corpo de Bombeiros começou a combater esse incêndio. Nesse momento estavam sendo recebidos com uma chuva e pedras e a gente intercedeu para defendê-los, usando munição química para repelir esses manifestantes. Fui atingido por uma pedra no supercílio direito, mas estou bem.”disse.
G1
