A Polícia Militar utilizou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar manifestantes que protestavam na manhã desta quarta-feira (20) na Universidade de São Paulo (USP), no Butantã, Zona Oeste da capital paulista, como mostrou o Bom Dia São Paulo.
Funcionários grevistas fecharam os portões do campus no fim da madrugada, mas, por volta das 7h10, apenas a entrada principal permanecia bloqueada.
Nesse horário, os manifestantes ocupavam a pista sentido bairro da Avenida Francisco Morato e também parte da Avenida Vital Brasil.
Por volta das 6h15, os manifestantes que já tinham fechado o portão principal da USP, o da Rua Alvarenga, também bloquearam a via com barricadas de lixo pegando fogo.
Com o objetivo de liberar a rua e dispersar a manifestação, os policiais militares utilizaram bombas de gás lacrimogêneo. Os manifestantes reagiram com pedras e paus, além de colocarem fogo em faixas. Com medo do confronto, motoristas davam ré e faziam conversões proibidas.
Passageiros de ônibus que passavam pela região foram atingidos pelo gás lacrimogêneo e desceram dos coletivos, continuando o trajeto a pé.
Hospital
O portão do Hospital Universitário foi liberado por volta das 6h para que possíveis emergências médicas pudessem ser atendidas.
Os manifestantes querem a reabertura das negociações salariais, protestam contra o corte do ponto e a possibilidade de transferência do Hospital Universitário para a administração municipal.
Protestos
Desde o dia 4 de agosto, funcionários protestam contra o desconto dos dias parados. Cerca de 300 grevistas fecharam a entrada da reitoria e bloquearam também: o Centro de Práticas Esportivas, ao Departamento de Tecnologia e Informação, à Administração Central e à Prefeitura do Campus. Os restaurantes centrais e as três creches também foram fechados. No dia 5 de agosto, manifestantes acamparam no campus.
A greve de docentes e funcionários começou em 27 de maio e já é a mais longa dos últimos dez anos. As três categorias da USP reivindicam a derrubada do congelamento de salários proposto pelos reitores da USP, da Unesp e da Unicamp, que negociam com os sindicatos por meio do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp). Em 3 de setembro, está prevista uma reunião para mais uma rodada de negociações entre as representantes das universidades e os sindicatos dos trabalhadores.
Nesta segunda-feira, algumas unidades da USP voltaram às aulas, mas outras permaneceram em greve. Foi o caso da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), onde os professores realizaram debates com os estudantes dos cursos para apresentar os motivos da greve e um calendário de aulas públicas e debates durante a semana.
G1
