Os dois adolescentes de 16 e 17 anos que estão detidos por suspeita de participar de um esquema de pedofilia em Catanduva, a 379 km de São Paulo, foram ouvidos na tarde desta terça-feira (3) no fórum da cidade. Eles teriam negado envolvimento com o caso. A Justiça calcula que pelo menos 24 crianças foram vítimas da suposta quadrilha.

“Eles negaram. Falam que nunca foram, nunca viram, nunca saem de casa”, limitou-se a dizer a juíza Sueli Alonso, da 2ª Vara Criminal e da Vara da Infância e Juventude. O G1 estava no local e percebeu quando um dos garotos deixou o prédio algemado e chorando.

De acordo com Sueli, o Ministério Público entrou com representação contra os jovens na sexta-feira (28). Também estão presos um borracheiro, de 46 anos, e o sobrinho dele, de 19 anos, os dois acusados pelo MP por atentado violento ao pudor.

 Conexão

Como o caso corre em segredo de Justiça para preservar as vítimas, a juíza não respondeu a muitas perguntas. Disse que pediu a entrada da Polícia Federal no caso para saber se há conexão entre esta suposta quadrilha de pedófilos e uma rede de exploração infantil descoberta em dezembro em Riberão Preto, a 313 km da capital paulista.

Ela lamentou o fato de muitas fotos terem sumido – as imagens seriam dos menores supostamente assediados em Catanduva. “Todas as crianças ouvidas relatam situação de abuso. Temos notícia de 40 (menores), mas identificamos 24. Elas relatam que foram fotografadas, mas essas fotos desapareceram.”

A juíza não soube informar o motivo da perda das provas. “Não existe prova material. Só o reconhecimento das crianças”, afirmou ela, que cuida da segunda parte da investigação – trata-se do segundo inquérito policial, aberto por causa da suspeita de mais vítimas e mais autores. O primeiro já foi concluído e resultou na denúncia e na prisão do borracheiro e seu sobrinho.

O delegado seccional de Catanduva. Edson Antonio Ermenegildo informou nesta terça que existem algumas fotos das crianças, como parte do primeiro inquérito, e que elas estão passando por perícia.

No dia 17 de março, a juíza pretende ouvir seis crianças e, se possível, fazer um reconhecimento, colocando-as para identificar ou não os dois adolescentes que foram interrogados nesta terça-feira.

G1

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