Quando chegar ao Palácio da Guanabara, logo após desembarcar na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, o papa Francisco será “recepcionado” por dezenas de gays, lésbicas, bissexuais e transexuais com um beijaço coletivo. O ato, segundo a comunidade LGBT, é uma forma de protestar contra a recriminação que a Igreja supostamente provoca no mundo. A principal reclamação dos gays é um discurso proferido pelo Pontífice, que afirmou que “as relações homoafetivas são um perigo para a humanidade”.
“Nós não temos a permissão social de, em lugares públicos, demonstrar afeto por pessoas do mesmo sexo. Somos recriminados, apanhamos, e o Papa e a Igreja legitimam essas atitudes quando dizem que as relações homoafetivas são o perigo da humanidade. Se um beijo é desrespeitoso, temos de ir para a rua e beijar”, explicou Jouber Assunção, 22 anos, estudante de Pedagogia da Universidade Federal Fluminense (UFF).
Um grupo de gays reuniu-se na tarde desta segunda-feira no largo do Machado, região central do Rio, para pintar cartazes. Eles se encontram com os demais manifestantes em frente ao Palácio da Guanabara para o beijaço. Mesmo temendo repressão e hostilização, o professor da rede municipal Wallace Berto, 31 anos, entende que é fundamental o envolvimento durante a visita do Papa.
“Quando se traz um debate desses, se acirra ainda mais o ânimo dos conservadores. É uma faca de dois cortes. A violência e a opressão aumentam muito mais, mas eu estou engajado. É muito incômodo e cansaço de ser reprimido, proibido, a todo momento incentivado a não poder viver em paz, a não poder frequentar a cidade, a ter que me esconder. Isso me cansou. Não me permito mais ficar em casa aceitando esse tipo de coisa”, disse ele.
Em cartazes distribuídos no largo do Machado, os defensores da causa LGBT citam trechos do Evangelho que falam sobre a igualdade entre os seres humanos e pedem que a Igreja pare de “fortalecer a violência”: “dizendo que nossas relações são o mal da humanidade e nossos corpos uma deturpação do humano, a Igreja marginaliza nossos corpos e sexualidade, fortalecendo e legitimando toda a sorte de violência que sofremos”.
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