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Frente separatista proposta por Zema contra Nordeste pode se tornar “tiro no pé”; alerta analistas políticos

“O Nordestino é, antes de tudo, um forte”, conforme frase repetida ao longo das décadas inspirada na famosa obra de Euclides da Cunha “Os Sertões”. Mexer com o nordestino, é afetar todo um País. No referido livro, o autor narra suas experiências na Guerra de Canudos, uma das inúmeras revoltas populares que sacudiram essa região desde o descobrimento do Brasil.

Seca, fome e miséria: são estas as primeiras palavras que a grande mídia oferece em torno do imaginário “Nordeste”. Só que nos últimos dois anos, o discurso político passou a atacar a região. E esta semana, mais uma tentativa de atacar a região, mexeu com os “brios” do nordestino.
A frente separatista proposta pelo governador mineiro, Romeu Zema, pode se tornar um “tiro no pé”, conforme alertam os analistas políticos. Zema defendeu a criação de uma frente Sul-Sudeste contra iniciativas do Norte-Nordeste. Desde domingo, diversos políticos e autoridades da região têm se manifestado contrários às declarações separatistas do governador.

Para alguns analistas, a ideia de uma aliança entre estados do Sul e do Sudeste para buscar “protagonismo econômico e político” em relação ao resto do país, como sugerido por Romeu Zema, pode respingar nos interesses dele mesmo e de outros governadores do Sul e do Sudeste.

Isso porque ao defender um ato separatista no País, o governador de Minas Gerais pode causar atrito, na discussão sobre a Reforma Tributária e o Conselho Federativo previsto no projeto.

O “tiro no pé” contra Zema pode ser disparado porque na Câmara, a maioria dos deputados vem do Sul e do Sudeste, mas no Senado, que é onde a Reforma Tributária está neste momento, isso se inverte: a maioria dos senadores vem do norte do nordeste. Ou seja, os estados do Norte e do Nordeste vão estar em maioria no Senado por uma questão simples: cada senador tem o mesmo peso igualmente no Senado e os estados do Norte e do Nordeste são maioria na Federação. Somente na Paraíba, são três senadores; Veneziano Vital do Rêgo (MDB), que é o Vice Presidente do Senado; Daniella Ribeiro (PSD) e Efraim Filho (União Brasil).

Isso porque o Conselho Federativo vai ser uma espécie de órgão que vai reunir ali governadores e também prefeitos. E esse Conselho vai ser centralizador da arrecadação do novo imposto que vai surgir com a Reforma Tributária, chamado IBS, um posto sobre o bens e serviços. A arrecadação, então, precisará ser organizada e reunida por meio desse Conselho”, conforme explica os analistas.

Eles colocaram todo o poder de decisão de um Conselho que vai redistribuir todo o dinheiro arrecadado com o imposto na mão dos estados mais populosos, ou seja, dos estados do Sul e do Sudeste.”

Esta semana, após as declarações de Zema, o relator da reforma tributária no Senado, Eduardo Braga (MDB-AM), afirmou que o poder de veto no Conselho Federativo só poderá ser utilizado com anuência de representantes de 80% da população. A fala sinaliza uma mudança na forma como o colegiado foi definido na PEC (Proposta de Emenda à Constituição) na Câmara.

Na reunião da última terça-feira, Braga citou a fala do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo).
“Eu não vou embarcar na posição do Zema, não seremos nós para nos deixar na pobreza, à míngua, morrendo de forme, tendo um país rico e um país pobre, mas paritário”, disse Braga….

A fala de Zema causou uma repercussão no meio político no fim de semana. Políticos de diferentes partidos e o Consórcio do Nordeste criticaram a ideia do governador e afirmaram que a declaração incita uma “guerra entre regiões” do país.
Os governadores do Nordeste repudiaram as declarações separatistas e afirmaram que não têm intenção de criar “guerra” com os estados das demais regiões do país, mas somente lutar pela compensação de “desigualdades de oportunidades de desenvolvimento”.
“A união regional dos estados Nordeste e, também, os do Norte, não representa uma guerra contra os demais estados da federação, mas uma maneira de compensar, pela organização regional, as desigualdades históricas de oportunidades de desenvolvimento”, destaca a nota.

Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o governador de Minas, Romeu Zema, deu uma declaração fazendo referência à aprovação da reforma tributária, que prevê a criação de um fundo para estados menos desenvolvidos. Ele defendeu a união do consórcio formado pelos estados do Sul e do Sudeste para barrar propostas no Congresso Nacional que possam causar perdas econômicas para essas regiões. A estratégia seria uma resposta às propostas enviadas por Norte e Nordeste.

Presidente do Consórcio Nordeste, o governador da Paraíba João Azevêdo (PSB) condenou as polêmicas declarações de Romeu Zema sobre o Nordeste.

“A fala de Zema trouxe uma pauta que não constrói e não ajuda naquilo que precisamos neste momento. O país saiu extremamente dividido de uma eleição presidencial e o que menos precisamos são de falas divisionistas ou de incentivo ao protagonismo desta ou daquela região sobre outras. É um desserviço à democracia”, lamentou.
Em meio às polêmicas e tentativas de separar o Nordeste do Brasil, a alma do nordestino clama por dignidade, respeito e valores nas suas tradições. Isso porque, é inegável que na política, na economia e na cultura, o Nordestino segue forte. E resistente como o mandacaru.

Severino Lopes
PB Agora

 

 

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