Por pbagora.com.br

 Um incêndio de grandes proporções atingiu nesta quinta-feira quatro tanques de combustíveis da empresa Ultracargo na região do Porto Saboó, em Santos. As chamas foram consideradas controladas no início da tarde mas, depois de novas explosões, voltaram a se alastrar pelo local. Cada tanque tinha entre 5 e 10 milhões de litros de etanol, gasolina e diesel, segundo os bombeiros.

Na noite desta quinta, a defesa civil determinou que jornalistas e curiosos se afastassem do local. Um duto da Ultragás, vizinho ao local do acidente, chegou a ser inspecionado, mas ainda não se sabe se foi atingido. Um navio foi mandado para ajudar o combate às chamas que interditou, parcialmente, o km 64 da Rodovia Anchieta, principal ligação da capital e a Baixada Santista. Mais cedo, a temperatura chegou aos 800 ºC e chamas atingiram 50 metros de altura.

 

O Corpo de Bombeiros estima que o fogo continue a consumir o combustível por pelo menos mais quatro dias.

 

– O fogo não está controlado, mas a situação está – informou o capitão Marcos Palumbo, que comanda a operação de combate às chamas.

 

Por volta de 18h, uma nova explosão obrigou os bombeiros a mudarem de posição. Um dos tanques tombou e espalhou combustível por uma longa área onde estão outros 40 tanques, atingindo até mesmo a piscina de contenção criada pelos bombeiros. Não é possível dizer quantos deles estariam com focos de incêndio.

 

Segundo Palumbo, na noite desta quinta havia risco de novas explosões e a estratégia de atuação é reformulada de acordo com as mudanças do vento.

 

Os bombeiros tentam resfriar os tanques laterais para que o fogo não se espalhe. Mais cedo, duas pessoas foram levadas ao hospital mais próximo, uma delas com intoxicação e outra em estado de choque.

 

Testemunhas relatam que a primeira explosão ocorreu às10h20. De acordo com a empresa Ultracargo, proprietária da instalação, o incêndio começou em um tanque de etanol e se alastrou para o local de armazenamento de gasolina. As informações oficiais são de que há 2 tanques destruídos e entre 4 e 6 tanques sendo queimados. O esforço é para que novos tanques não peguem fogo.

Um funcionário da empresa Stolthaven, vizinha aos tanques da Ultracargo, que preferiu não se identificar, disse ao GLOBO que as chamas começaram quando um caminhão tanque se abastecia com combustíveis.

 

– Uma mangueira se soltou e com o impacto no solo provocou faíscas que atingiram o caminhão. A partir daí o fogo se propalou e atingiu os tanques. Os brigadistas tentaram apagar as chamas, mas não conseguiram e o fogo de espalhou rapidamente. Os bombeiros foram chamados e os soldados chegaram logo em seguida – disse o funcionário da Stolthaven, separada da Ultracargo apenas por uma rua e que também tem tanques de combustíveis.

 

Seguranças do Grupo Souza Lima, que atuam numa das empresas vizinhas ao incêndio disseram não receber treinamento para situações desse tipo. Segundo eles, pessoas fugiram deixando pra trás carros, motos e caminhões. Na hora do início do incêndio, o caminhoneiro Roger José dos Santos estava a 600 metros do local. Assustado com as chamas, ele chegou a se jogar em uma vala que tem esgoto a céu aberto.

 

 

Os funcionários da Ultracargo foram dispensados, pois o calor no local era intenso. Há 700 metros dos tanques ainda era impossível se permanecer. Moradores do entorno tiveram que deixar o local. A área industrial fica um pouco distante da área residencial, separadas pela Via Anchieta, que chegou a ficar congestionada.

 

A Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) informou que a área atingida fica fora da região do sistema portuário de Santos. A empresa informa que a área é privada e administra por ela.

 

De acordo com a Ultracargo, os tanques atingidos pelo incêndio armazenam etanol e gasolina e ficarão “queimando até o final das chamas”. As labaredas chegaram 100 metros de altura. Em nota, o presidente da empresa, Ricardo Catran, disse que equipes estão no local e que não há feridos. Ele disse que “é prematuro ainda qualquer afirmação sobre as causas” do incêndio.

 

 

Uma coluna de fumaça pode ser vista em toda a cidade. Na internet, moradores do município de Praia Grande, que fica a 20 quilômetros, publicaram fotos em que mostram que conseguem à distância avistar a nuvem de fumaça negra. De acordo com o Corpo dos Bombeiros, 24 carros e mais de 80 homens ajudam no combate ao incêndio, parte dessas viaturas foram deslocadas de São Paulo para o local do incidente. O Plano de Auxílio Mútuo do Porto de Santos foi acionado e há dezenas de brigadas de incêndio de toda a região aqui.

 

O navio-tanque Governador Fleury está no local. O equipamento retira 15 mil tiros d’água por minuto do canal próximo ao terminal da Ultracargo. Um perímetro foi montado na Av. Engenheiro Augusto Barata para evitar a entrada de pessoas na região e facilitar o trabalho dos bombeiros. Eles evacuaram uma área de 5 mil metros quadrados dentro da área industrial. O local residencial mais próximo é o Jardim Piratininga, de onde as pessoas saíram voluntariamente por medo. A Marinha suspendeu a navegação na região.

 

Os reflexos já são sentidos na Rodovia Anchieta. De acordo com a concessionária que administra a via, já se registra um congestionamento de cinco quilômetros. A rodovia Imigrantes, que também dá acesso a Santos, também tem um congestionamento de mesma proporção. Por volta das 14h, a Imigrantes foi interditada na altura do Km 62. Com a véspera do Feriado da Semana Santa, pode haver problemas com os paulistanos se dirigirem às praias do Litoral Sul.

 

 

O Globo

Deixe seu Comentário
Notícias relacionadas

Confira as dicas de especialista para se dar bem na prova de Redação do Enem

Baixo desempenho na prova é critério de desclassificação em processos seletivos do governo O uso correto da gramática e suas aplicações são fundamentais para a construção de um texto adequado…

Termina hoje inscrição para primeira seleção de 2021 do ProUni

Terminam hoje (15), às 23h59, as inscrições para a primeira seleção de 2021 do Programa Universidade para Todos (ProUni), que seleciona candidatos a bolsas de ensino integral e parcial em…