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Filme de Lula compete na indicação ao Oscar

Longa disputará com 95 países uma das cinco vagas na categoria estrangeira.
Segundo enquete popular no site do MinC, vencedor seria ‘Nosso lar’.

 

O longa-metragem “Lula – O filho do Brasil”, de Fábio Barreto, foi escolhido para representar o Brasil na disputa por uma das cinco vagas no Oscar na categoria de melhor filme em língua estrangeira.

A decisão, anunciada na manhã desta quinta-feira (23), em São Paulo, foi tomada de forma unânime por uma comissão que reúne membros indicados pelo Ministério da Cultura, Secretaria do Audiovisual, Agência Nacional de Cinema do Brasil e Academia Brasileira de Cinema.

“Levamos em consideração o Brasil. [Esse filme] reflete um pouco a nossa vida. Lula é uma estela aqui e fora daqui”, declarou o cineasta Roberto Farias, presidente da Academia Brasileira de Cinema.

Questionado sobre a hipótese de um viés político na escolha, Faria rebateu. “O filme está feito e já passou pelo crivo de todas as críticas neste sentido.”

“Nosso partido é o cinema brasileiro. A escolha em momento algum pensou no momento X, mas em um filme para representar o país com dignidade”, completou a produtora Mariza Leão Salles de Rezende, uma das integrantes da comissão de seleção, que inclui ainda o jornalista Cássio Henrique Starling Carlos, a professora Clélia Bessa, a cineasta Elisa Tolomelli, o assessor do MinC Frederico Hermann Barbosa Maia, o cineasta Jean Claude Bernardet, o crítico Leon Cakoff, a cineasta Márcia Lellis de Souza (Tata) Amaral, além de Faria.

Tata Amaral, no entanto, afirma acreditar que seja possível que a popularidade de Lula no exterior possa, sim, contribuir com o desempenho do representante brasileiro no Oscar. “Eu gostaria que a figura do Lula influenciasse a Academia. Nesse sentido, seria ótima a influência política da escolha”, defendeu a cineasta.

Atrás dos espíritos e dos duendes

A escolha da cinebiografia do presidente Lula para representar o Brasil na briga por uma vaga no Oscar pode ter sido consensual entre os membros da comissão de seleção, mas não representa a vontade dos internautas que votaram em uma enquete popular promovida no site do Ministério da Cultura entre os dias 8 e 20 de setembro.

Para as pessoas que votaram, o candidato brasileiro à estatueta deveria ser o filme “Nosso lar”, de Wagner de Assis, que recebeu 70% do total dos cerca de 130 mil votos. Em seguida, outro filme inspirado na doutrina espírita, “Chico Xavier”, de Daniel Filho, com 12% dos votos na enquete.

“Lula – O filho do Brasil”, superprodução considerada um dos filmes mais caros do país, recebeu apenas 1% dos votos na enquete do MinC, atrás de filmes independentes como “Os famosos e os duendes da morte”, “O grão” e “Antes que o mundo acabe”.

No total, 23 produções nacionais competiam pela vaga. Agora, o filme escolhido disputará com longas de outros 95 países uma indicação da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, responsável pela realização do Oscar.

Os nomes dos cinco indicados ao prêmio máximo do cinema mundial serão divulgados em 25 de janeiro. A festa de entrega dos prêmios está marcada para 27 de fevereiro de 2011.

Baseado em livro homônimo da jornalista Denise Paraná, que co-assina o roteiro com Fernando Bonassi e Daniel Tendler, “Lula – O filho do Brasil” percorre a trajetória de Lula desde a infância, saindo de Caetés (PE) em pau-de-arara em 1952, com a mãe, dona Lindu (Glória Pires), e irmãos, rumo a Santos (SP).

Na Baixada Santista, reencontram o pai, Aristides (Milhem Cortaz), alcoólatra e violento, que anos depois é abandonado por dona Lindu. Em seguida, ela e os filhos mudam-se para São Paulo, depois São Bernardo do Campo. Nessa cidade, Lula (na fase adulta, interpretado pelo estreante em cinema Rui Ricardo Diaz) tornou-se operário e sindicalista, antes de entrar para a política.

O foco da história está no indivíduo Lula, procurando-se uma abordagem emotiva, que coloca em primeiro plano suas relações familiares com três mulheres –além da figura forte da mãe, sua primeira mulher, Lourdes (Cléo Pires), que morreu grávida de oito meses, e a segunda, Marisa Letícia (Juliana Baroni).

Em 20 de dezembro do ano passado, poucos dias antes da chegada do filme aos cinemas do Brasil, o diretor Fábio Barreto sofreu um acidente quando voltava do aeroporto Tom Jobim, no Rio. Ao passar por um túnel, em Botafogo, perdeu o controle do carro, que capotou várias vezes.

O cineasta de 52 anos sofreu traumatismo craniano, ficou internado por três meses e passou por duas cirurgias. Atualmente recebe tratamento em sua casa.
 

 

 

G1

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