Os blocos de mulheres e as organizações não-governamentais feministas de Pernambuco têm reclamado da divulgação, por parte da Prefeitura de Recife, da pílula do dia seguinte, disponível nos postos de saúde durante o carnaval. Para as organizações, o governo se acanhou depois das críticas que recebeu no ano passado, especialmente das igrejas.

Uma das coordenadores do Fórum de Mulheres de Pernambuco, Sueli Valongueiro, afirma que as mulheres têm direito a receber informação sobre o método contraceptivo. – A gente está no carnaval divulgando a contracepção de emergência por considerar que é o único método que pode ser utilizado depois de uma relação desprotegida para evitar gravidez indesejada e aborto ilegal. A informação é um direito e ela está na lei de planejamento familiar. Se a secretaria não divulga no carnaval, não está cumprindo seu papel. Estamos divulgando a contracepção dentro do movimento, fazendo a nossa parte, mas também queremos a divulgação de governo – disse.

O prefeito de Recife, João da Costa, nega que tenha havido recuo do governo na divulgação da pílula do dia seguinte durante o carnaval. Segundo ele, o medicamento está à disposição das recifenses nos postos de saúde da cidade. – A divulgação está sendo feita. O que acontece é que no ano passado em função da posição contrária da Igreja Católica a polêmica se tornou maior e os meios de comunicação deram espaço maior para a ação da prefeitura. Na nossa publicidade do carnaval, essa ação tem um lugar de destaque – afirmou.

– Agora ela está dentro de uma divulgação do carnaval como um todo e de diversas outras ações importantes. Mas o programa continua sendo uma prioridade, da Secretaria de Saúde, do governo, como uma contribuição para a política de gênero e para a prevenção sexual das mulheres, e ao seu desejo de ter ou não filhos. Esperamos que essa política se afirme, que seja uma política e um direito das mulheres – acentuou.

Tanto a prefeitura de Recife quanto o governo de Pernambuco promovem durante o carnaval uma campanha de prevenção e combate à violência contra a mulher. Postos de denúncia e delegacias especializadas estão espalhadas pelos principais pontos do carnaval de Recife e Olinda. A polícia também foi treinada para receber e encaminhar denúncias de racismo e homofobia.

 

Agência Brasil

 

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