Categorias: Brasil

Famílias de detentos receberam 53 mi, ano passado

PUBLICIDADE

O Brasil tem a terceira maior população carcerária do mundo com mais de 490 mil presos. Segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o país só fica atrás dos Estados Unidos e China. Mas nem todas as famílias desses detentos recebem do governo o auxílio-reclusão. Somente os dependentes de segurados da Previdência Social têm esse direito. Constam no cadastro da Previdência mais de 29 mil famílias beneficiadas com o auxílio. Neste ano, o governo federal já desembolsou R$ 53,7 milhões.

Em cinco anos, as despesas do auxílio já somam R$ 893,2 milhões (veja tabela). Se o ritmo dos gastos continuar desta forma (R$ 21,5 milhões por mês), neste ano o valor do auxílio reclusão será menor que no ano passado (R$ 299,2 milhões). Para o cientista político Antônio Flávio Testa, a diminuição do ritmo de desembolsos pode ser atribuída ao início do governo. “A burocracia, mesmo sendo um governo de continuidade, precisa se ajustar às novas diretrizes”, diz.
O benefício é concedido aos dependentes do segurado que for preso por qualquer motivo durante todo o período de reclusão. Entende-se por dependentes o cônjuge, companheiros, filhos e irmãos menores de 21 anos e pais. Em caso de fuga, liberdade condicional, extinção da pena ou em regime aberto, a família deixa de receber o benefício.

Para a família ter direito ao auxílio, o detento não pode receber salário da empresa na qual trabalhava antes da prisão. Além disso, receber auxílio-doença e aposentadoria também não são permitidos. Se o preso falecer, o auxílio reclusão será convertido em pensão por morte.

Após a liberação do auxílio, os dependentes devem apresentar à Previdência Social, de três em três meses, atestado de que o trabalhador continua preso. Esse documento pode ser a certidão de prisão preventiva, a certidão da sentença condenatória ou o atestado de recolhimento do segurado à prisão.

O valor do auxílio-reclusão corresponde à média dos 80% melhores salários do segurado da Previdência a partir de 1994, desde que o último seja menor ou igual a R$ 862,11. Para o segurado especial (trabalhador rural), o valor do auxílio-reclusão será de um salário-mínimo, se o empregado não contribuiu facultativamente. O benefício pode ser solicitado nas Agências da Previdência Social mediante o cumprimento das exigências cumulativas e a apresentação dos documentos exigidos pelo Ministério da Previdência.

A assessoria de imprensa da Previdência Social informou que o auxílio reclusão não possui uma meta de atendimento. “Não existe uma meta do governo. Ninguém quer que aumente o número dos condenados nas prisões para que possam receber esse benefício.” Ainda segundo a pasta, o auxílio não beneficia o preso e sim as famílias. “Nós ajudamos os dependentes do preso que contribuiu para a Previdência, isso é um direito deles”, informa.

O cientista política Antônio Flávio Testa afirma que o auxílio-reclusão tem grande papel social. Para ele, muitas famílias dos condenados ficam numa situação difícil durante o tempo em que o chefe de família encontra-se preso. “Esse auxílio pode ajudar a família a se manter e essa renda vai para quem realmente precisa”. Testa ainda informa que é preciso haver fiscalização. “Um acompanhamento gerencial bem feito desse desembolso seria importante para evitar distorções e uso indevido”.

Para Testa, o preso deveria ser obrigado a trabalhar para custear as próprias despesas e ajudar a família. “Mas seria necessário haver algumas mudanças na lógica prisional brasileira e mudar a mentalidade gerencial sobre o cumprimento das penas”, analisa.

O especialista aponta ainda que o sistema penitenciário brasileiro é apenas punitivo, e muito caro. Para ele, o condenado deveria ser obrigado a aprender uma profissão útil para o mercado e trabalhar produtivamente durante o cumprimento da pena. “Se isso não ocorrer, as bolsas auxílio não ajudarão muito, e o custo social e financeiro para o governo e a sociedade, que é quem sustenta o sistema, somente vai aumentar, pois a reincidência no crime torna-se inevitável”, argumenta.
 

Contas Abertas

Últimas notícias

STF inicia julgamento sobre caso Marielle Franco na próxima terça-feira

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar, na próxima terça-feira (24),…

22 de fevereiro de 2026

Paraíba Pet inicia castrações com microchipagem e exames prévios em João Pessoa nesta segunda

O Governo da Paraíba, por meio da Secretaria Executiva de Proteção Animal, dará início, nesta…

22 de fevereiro de 2026

Paraibano 2026: Definidos os semifinalistas e os rebaixados após última rodada da primeira fase

A primeira fase do Campeonato Paraibano 2026 chegou ao fim neste domingo (22), com a…

22 de fevereiro de 2026

Segunda noite de desfile de ala ursas encerra Carnaval Tradição neste domingo

Os desfiles do Carnaval Tradição de João Pessoa terminam na noite deste domingo (22) com…

22 de fevereiro de 2026

Após quase 30 anos de acidente aéreo, corpos dos cinco ‘Mamonas Assassinas’ serão exumados

Nesta segunda, 23, serão exumados os corpos dos cinco Mamonas Assassinas — a banda que…

22 de fevereiro de 2026

Mulher é baleada no rosto durante tiroteio no bairro José Américo, em João Pessoa

A madrugada deste domingo (22) foi marcada por um tiroteio no bairro do José Américo,…

22 de fevereiro de 2026