No dia dedicado internacionalmente a elas, uma triste constatação recai sobre a Paraíba: aumentou, em 150%, o número de mulheres assassinadas no estado. De janeiro até ontem (7), foram registrados 25 mortes de mulheres por decorrência da violência nos 223 municípios paraibanos. No ano passado, o número não chegou a 10 no período.
Os dados são da ONG Centro da Mulher 8 de Março. De acordo com a coordenadora geral da organização, Irene Marinheiro, a execução da Lei Maria da Penha ainda representa um desafio para o estado.
“A mulher ainda não se sente plenamente acobertada para fazer a denúncia, pois ela sabe que vai voltar para casa e, consequentemente, para o foco da violência. Acreditamos que a chegada dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar irão contribuir imensamente nessa questão, evitando que os casos de violência cheguem à morte”, explicou Irene.
Os juizados estão sendo implementados, desde o final do ano passado, em todo o estado. Eles têm como objetivo afastar os agressores das vítimas, fiscalizando para que seja cumprida a pena estabelecida pela lei.
Criada em setembro de 2011, a Promotoria de Justiça dos Direitos da Mulher já recebeu cerca de 150 denúncias envolvendo os mais diversos tipos de agressões em que as vítimas são mulheres.
O levantamento foi apresentado nessa quarta-feira durante um seminário em alusão ao Dia Internacional da Mulher, realizado na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). De acordo com os dados do relatório, a quantidade de denúncias de violência contra a mulher, por dia, em João Pessoa, chega a uma média de 16.
Para Irene, é preciso que a população participe mais efetivamente no combate à violência doméstica para que o estado possa também avançar na questão da punição. “Qualquer pessoa pode denunciar uma situação de violência. Seja vizinho, amigo ou parente da vítima. Só assim esse mal poderá ser arduamente combatido”, defende.
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