A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Pedofilia iniciou às 10h50 desta quinta-feira (19) a audiência em que serão ouvidos seis suspeitos de integrar uma suposta rede de exploração sexual de crianças em Catanduva, a 385 km de São Paulo.

 

Quatro deles estão presos e dois – um médico e um empresário – estão livres. Durante a abertura dos trabalhos, o presidente da CPI, senador Magno Malta, anunciou que vai fazer uma representação à Corregedoria da Polícia Civil contra a delegada da Delegacia da Mulher, Rosana Vani. Na quarta-feira (18), ela reconheceu, em depoimento à CPI, ter alertado o advogado de um médico suspeito sobre a realização de diligência na casa dele.

O médico e o empresário que deveriam ser ouvidos nesta quinta-feira tinham prisão decretada pela Justiça e estavam foragidos, mas conseguiram habeas corpus do Tribunal de Justiça de São Paulo no final da tarde desta quarta-feira (18). A CPI acompanha a apuração do Ministério Público e da Polícia Civil sobre uma rede de pedofilia que teria feito pelo menos 40 vítimas entre meninos e meninas de 6 a 12 anos de idade.

O presidente da CPI da Pedofilia, senador Magno Malta, informou que vai dar prazo até as 14h desta quinta para que o médico e o empresário compareçam espontaneamente à comissão para depor. Depois disso, afirmou que vai pedir ajuda à Polícia Federal para conduzi-los à sessão da CPI realizada na Câmara de Catanduva, independentemente de eles terem habeas corpus concedido pelo Tribunal de Justiça.

Polícia na mira

A quarta-feira (18) – primeiro dia de depoimentos desta segunda visita da CPI da Pedofilia a Catanduva – foi marcada por críticas dos pais das vítimas de abuso sexual à atuação da Polícia Civil, do Ministério Público e do Conselho Tutelar de Catanduva no caso.

Uma das falhas foi revelada pela própria delegada da Delegacia da Mulher de Catanduva, Rosana da Silva Vani, que apurava o caso. Ela reconheceu, em depoimento à CPI, que errou ao avisar o advogado do médico suspeito de integrar a suposta rede de pedofilia que seria realizada uma blitz em sua casa.

De acordo com o senador Magno Malta, o aviso deu tempo para o investigado esconder provas. “É claro que o advogado vai avisar. Aí a polícia chegou lá e encontrou só o teclado e a tela ligada ainda, com a CPU [onde fica armazenada a memória do computador] desaparecida.”

Malta afirma que a memória do computador poderia conter imagens de crianças que dizem ter sido fotografadas nuas, em diversas posições, na casa do suspeito.

 

Outra falha foi confirmada pela delegada Maria Cecília de Castro Sanches. Ela afirmou que encerrou o primeiro inquérito sobre o caso sem antes realizar diligências para encontrar três suspeitos apontados pelas crianças em uma mesma fotografia. A delegada alegou que tinha um preso que teria cometido atentado violento ao pudor contra 12 vítimas e não queria correr o risco de deixá-lo escapar.

Após esse primeiro inquérito, a Polícia de Catanduva abriu um segundo, determinado pela juíza da Infância e Juventude de Catanduva, Sueli Juarez Alonso, que apontou mais seis suspeitos, entre eles, o médico e o empresário – que estão soltos – e mais quatro homens de baixa renda, que permanecem presos. Este segundo inquérito, encerrado na sexta-feira, também é alvo de críticas do presidente da CPI, que o classificou de “frouxo” e “ruim”.

Malta afirma que a CPI pode fazer uma recomendação à Corregedoria da polícia para analisar a conduta das policiais. Ele também quer ouvir o Conselho Tutelar. Um acordo entre a Polícia Civil e o Ministério Público afastou as duas delegadas da investigação e transferiu o comando das operações da Polícia Civil para São José do Rio Preto, em conjunto com cinco promotores do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco).

Apesar dos problemas enfrentados até agora, Malta afirma que as provas contra os suspeitos fatalmente virão à tona. “Dentro desse processo investigatório muita coisa está sendo feita.

Empresário suspeito

A CPI também ouviu nesta quarta uma namorada do empresário suspeito de pedofilia. Crianças que estudam em uma escola municipal afirmaram ter sido abordadas pelo ocupante de uma camionete preta similar à do empresário. O veículo ficava sempre estacionado próximo à escola, com motor ligado, entre o meio e o final da manhã, horário que coincidia com a saída dos estudantes. Os depoimentos das crianças foram reforçados pelo diretor da escola, que contou à CPI que o motorista fugiu quando tentou abordá-lo.

A mulher que depôs afirmou ter plena confiança de que seu companheiro, dono da camionete, é inocente. Ela afirmou que ele mantinha com ela uma relação extraconjugal, daí os encontros às escondidas perto da escola. Também afirmou que o motor da camionete ficava ligado para não afetar o funcionamento do aparelho de ar condicionado. Ela ficou sabendo durante o depoimento que o empresário conseguiu habeas corpus que o livra da prisão, pelo menos temporariamente.

Mães de vítimas de abusos sexuais tentaram abordá-la aos gritos na saída da Câmara. Mas ela retornou ao prédio e saiu depois em segurança, escoltada por policiais militares.

Força-tarefa
O senador Magno Malta disse nesta quarta que vai procurar o prefeito de Catanduva, Afonso Machione Neto, para pedir a ele a criação de uma força-tarefa na cidade para apoiar as famílias das crianças supostamente vítimas de abusos sexuais, realização de exames, tratamento médico e acompanhamento psicológico.
 

 

G1

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