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Ao PB Agora, cientista político faz análise de manifestações do 7 e 12 de setembro

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Uma análise sobre o retrato atual que o país atravessa. Ameaça de ‘insurreição’ antidemocrática; crise entre os poderes, medo, do país entrar em estado de sítio e temor por um novo golpe. O Brasil vive um momento conturbado e mais perigoso de sua jovem democracia. A ameaça às instituições democráticas brasileiras, aflorou após os protestos de 7 Setembro que dividiram o País que enfraqueceu as relações institucionais e  harmônicas entre o Executivo, Legislativo e Judiciário.

O  cientista político,  historiador e professor da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Gilbergues Santos,  fez uma análise do momento turbulento que o país atravessa. Ao discorrer sobre todos os atos do 7 de Setembro, principalmente no discurso inflamado do presidente da República, na Praça dos Três Poderes, e os episódios que se sucederam, Gilbergues garantiu que mesmo tentando fazer uma pacificação com o ministro do STF, Alexandre Morais, Bolsonaro  “colocou o impeachment” sobre a mesa.

Como forma de fundamentar o seu argumento, o cientista enfatizou que depois do 7 de Setembro, alguns partidos como o PSDB e o PSD, e até o Centrão, passaram a discutir a questão do impeachment. No caso dos tucanos e do PSD, esses dois partidos anunciaram a saída da base do governo. Sem contar as inúmeras manifestações realizadas no último domingo (12), pedindo o impeachment do presidente.

“A insanidade do 7 de Setembro serviu para colocar o impeachment na mesa. Existe uma pressão dentro da própria Câmara dos Deputados para que o Arthur Lira tome uma atitude que seria desengavetar um ou mais processo de Impeachment” destacou Gilbergues.

Para ele, mesmo firmes, os discursos do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux, e do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, repudiando os ataques à democracia, precisam vir acompanhados do início do processo de impeachment.

“Toda e qualquer outra questão, passa pelo afastamento de Bolsonaro”, enfatizou.

A questão militar e o risco da volta do tanque nas ruas, também preocupa o cientista político. Ele ressaltou que o presidente Bolsonaro conta com o apoio de parte da hierarquia militar, embora venha perdendo apoio a cada ato que realiza.

Gilbergues observou que o cenário se torna mais complexo devido a mentalidade autoritária do brasileiro.

“A sociedade brasileira e a nossa formação pouco ou quase nada democrática, ela não autoriza que a gente pense saídas para uma crise institucional e social como essa, de forma democrática”, observou.
 

Expectativa de golpe frustrada. Particularmente, Gilbergues Santos não acredita em mais um golpe no Brasil, e enfatizou que no seu ponto de vista, o golpe aconteceu em 2016 nos três atos que culminaram com o impeachment de Dilma Rousseff (PT) e a ascensão do atual inquilino do Palácio do Planalto.

“Esse golpe aconteceu em três atos. Primeiro foi a deposição de Dilma Rousseff, o segundo é quando Lula é preso e retirado no jogo político, através da Lava Jato; e a eleição do próprio Bolsonaro , observou.

O cientista político alertou para o que ainda está por vir no País e que novas manifestações podem acontecer em datas pontuais. Gilbergues  observou que os atos  realizados na Esplanadas dos Ministérios classificados por ele, como “catastróficos, terríveis e horrorosos”, podem se repetir em outras datas como o 15 de Novembro.

Para Gilbergues Santos, o que está acontecendo é que o presidente Bolsonaro não tem mais saída e chegou numa situação em que ele não pode retornar. Na visão do cientista político paraibano, o medo e o pânico de Bolsonaro é que “ele e os filhos sejam presos”. E por isso, não está disposto a uma solução negociada para resolver a crise institucional que se instalou no país.

Sobre as manifestações do último domingo (12), Gilbergues explicou ao PB Agora que o que aconteceu foi uma tentativa de alguns movimentos como “O Brasil Livre” e partidos políticos de tentarem demarcar uma posição, mas não conseguiram.

“Eles não conseguem porque não podem ficar mais a favor de Bolsonaro. Eles que votaram e fizeram campanha para Bolsonaro e estão comprometidos com todo esse estado de coisa que infelizmente nós estamos passando. Mas eles também não podem se unir à esquerda da Lula “, observou.

Na análise do cientista político, o grande problema deles é fortalecer os movimentos e atrair pessoas.  Visto que nas manifestações de domingo, praticamente foram vazias.
“Não deu ninguém nestas manifestações nem poderia dar. Porque quando eles dizem nem Lula nem Bolsonaro, na verdade eles estão deixando de responder uma pergunta que é a grande questão do nosso momento. O que não vamos optar, é por democracia ou por facismo? indagou o Gilbergues

Para ele, o Brasil está em uma encruzilhada, e os organizadores dos momentos do último domingo, não conseguem se apresentar como uma terceira via, visto que não sabem responder a uma questão primordial sobre o regime que queremos.
“Eles tem que responder uma questão. É democracia ou é fascismo? : indagou.

Severino Lopes

PB Agora

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