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Bolsonaro: o homúnculo

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Em um dos momentos mais dramáticos da história recente da humanidade e, consequentemente, do Brasil, com a pandemia de Covid-19, o ex-presidente Jair Bolsonaro demonstrou pouca empatia com os entes queridos das pessoas que pereceram em decorrência da doença causada pelo vírus. Essa falta de sensibilidade também se estendeu às próprias vítimas da enfermidade, muitas delas internadas em hospitais, lutando pela vida, enquanto médicos e enfermeiros, sobrecarregados, faziam tudo o que estava ao alcance para salvar vidas.

Setecentas mil mortes. É como se João Pessoa, com seus aproximadamente 800 mil habitantes, segundo o Censo de 2022, desaparecesse do mapa. Você tem noção disso? Uma tragédia sem precedentes na nossa história recente. Enquanto isso, Bolsonaro parecia empenhado em colaborar com o vírus, incentivando, no ápice da pandemia, que as pessoas saíssem às ruas para trabalhar, estudar e levar uma vida normal. Além disso, promoveu o uso de medicamentos ineficazes, como a cloroquina e a ivermectina (como se algo destinado a matar vermes pudesse ter eficácia contra um vírus — um claro desprezo pelo conhecimento médico e científico) e desencorajou a vacinação, chegando a afirmar, em determinado momento, que a urgência pela vacina não se justificava.

No auge da crise sanitária, cadáveres se acumulavam em caminhões frigoríficos (como ocorreu em Belém), tamanha era a quantidade e a rapidez das mortes. Parentes, por sua vez, eram impedidos de realizar velórios apropriados, pois o risco de contágio inviabilizava qualquer contato com os corpos de seus pais, mães, filhos e irmãos.

Bolsonaro não apenas deixou de demonstrar empatia, como também fez piadas em várias ocasiões. Um exemplo notório foi quando citou, de maneira sarcástica, o episódio envolvendo o então prefeito de Itajaí, em Santa Catarina, Volnei Morastoni, que sugeriu a aplicação de ozonioterapia retal como tratamento para a Covid-19. Em meio aos apoiadores do famigerado “cercadinho”, Bolsonaro zombou da situação, rindo e imitando, com voz fina, um suposto homossexual que buscaria essa terapia na cidade catarinense.

Em outros momentos, demonstrou verdadeira crueldade. Por duas vezes, imitou pessoas com dificuldade para respirar ao comentar as orientações do então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que recomendava que as pessoas só procurassem o sistema de saúde, já sobrecarregado, ao apresentarem sintomas. Durante esse período, Bolsonaro estava apegado à ideia charlatã do “tratamento precoce”. A promessa era absurda: cloroquina e ivermectina impediriam a infecção ou, ao menos, evitaria o agravamento da doença. Pura balela. Uma das ideias mais imbecis e absurdas disseminadas durante a pandemia.

Bolsonaro teve uma responsabilidade direta na massiva mortandade causada pela Covid-19. Um estudo do epidemiologista e pesquisador da Universidade Federal de Pelotas, Pedro Hallal, apontou que, caso o governo federal tivesse adotado outra postura — incentivando o uso de máscaras, promovendo o distanciamento social, realizando campanhas de conscientização e acelerando a aquisição de vacinas —, pelo menos 400 mil vidas poderiam ter sido salvas.

Esse mesmo homem, que não derramou uma única lágrima por qualquer uma das 700 mil vítimas da doença, chorou, nesse sábado, porque não pôde ir aos Estados Unidos da América participar da posse de Donald Trump. Está com o passaporte apreendido porque é investigado e indiciado pelos crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa.

Um homúnculo.

Feliphe Rojas
PB Agora

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