Foto: Isac Nóbrega/PR
O evento desse domingo demonstrou que o bolsonarismo continua a ser um fenômeno político expressivo e com grande capacidade de mobilização. E também mostrou que continua a se sustentar na retórica de que, dentre outras coisas, Bolsonaro é um enviado de Deus e, por isso, um perseguido.
Mais uma vez, temos a mistura explosiva entre bolsonarismo e religião, principalmente, evangélica. Os discursos de Michele e Silas Malafaia foram no sentido de que Bolsonaro é um enviado pelo próprio Deus e, consequentemente, um perseguido.
Essa mistura bolsonarismo-evangelicalismo é um erro danoso à fé e pregação bíblica. Michele disse que estava vendo o “exército de Deus nas ruas” e acrescentou que “desde 2017, nós estamos sofrendo porque exaltamos o nome do Senhor no Brasil”, pois “meu marido foi escolhido porque declarou que era Deus acima de todos”.
Posteriormente, Michele argumentou que não misturar política, leia-se bolsonarismo, e religião deixou que o mal tomasse o espaço, mas que havia chegado o “momento da libertação”.
O que diria Jesus a um povo que defende um político em nome do próprio Deus?
Bolsonaro tem todo o direito de se defender e se manifestar. E o cristão pode até concordar com ele nas críticas a posturas do STF. Contudo, é preciso afastar o bolsonarismo da fé evangélica. O reino de Deus não é desse mundo e nenhum político é a representação divina na terra.
A mistura de evangelicalismo e a ideologia em torno de Bolsonaro já causou e continuará a causar muitos danos à religiosidade evangélica brasileira. É preciso abandonar essa associação!
Anderson Paz
Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a linha programática e ideológica do portal PB Agora.
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