A Justiça de Pernambuco determinou a suspensão do perfil do influenciador digital Gabriel Silva no Instagram após uma ação civil pública movida pela Defensoria Pública de Pernambuco, que acusa o criador de conteúdo de promover discursos considerados xenofóbicos e de ódio contra nordestinos e grupos vulneráveis.
A decisão liminar foi assinada no início de julho pelo juiz José Alberto de Barros Freitas Filho e determinou que a Meta, empresa responsável pelo Instagram, suspendesse a conta do influenciador no prazo de dois dias após a intimação. Apesar da determinação judicial, o perfil seguia ativo até a publicação desta matéria.
Segundo a decisão, Gabriel Silva, que possui cerca de 976 mil seguidores, teria utilizado as redes sociais para divulgar conteúdos que ultrapassariam os limites da liberdade de expressão, promovendo ataques contra a dignidade de grupos sociais.
O magistrado destacou que a liberdade de manifestação não pode ser usada como justificativa para disseminação de discursos de ódio e afirmou que o influenciador teria transformado “o preconceito e a ridicularização de grupos vulneráveis em uma engrenagem de monetização e espetacularização”.
Entre os conteúdos apresentados pela Defensoria Pública estão declarações atribuídas ao influenciador em que ele teria chamado o Nordeste de “esgoto do Brasil”, defendido que nordestinos deveriam precisar de “visto” para sair da região e feito comentários ofensivos relacionados à capacidade intelectual da população nordestina.
A ação também cita falas contra outros grupos e afirma que as manifestações configurariam xenofobia.
Um dos episódios que ganhou repercussão envolveu a jornalista paraibana Pollyana Sorrentino. Em um vídeo publicado nas redes sociais, Gabriel Silva respondeu a um comentário feito pela comunicadora e utilizou a expressão “braço de merendeira” para se referir a ela.
O caso foi incluído entre os elementos apresentados na ação judicial.
Após a repercussão da decisão, Gabriel Silva publicou um vídeo comentando o caso e afirmou que seus conteúdos possuem caráter humorístico.
“60% aqui é personagem. A maioria dos vídeos aqui é humor”, declarou.
O influenciador também criticou a decisão e afirmou que estaria sendo impedido de expressar opiniões.
“Hoje no Brasil tudo é crime e não pode dar sua opinião”, afirmou.
A ação seguirá em tramitação para análise do mérito.
PB Agora
