Por pbagora.com.br

O jornalista e ex-deputado federal Márcio Moreira Alves (PMDB) morreu hoje aos 72 anos no Rio de Janeiro de falência múltipla de órgãos. Ele estava internado desde outubro no hospital Samaritano após sofrer um AVC (acidente vascular cerebral).

Moreira Alves nasceu no Rio de Janeiro em 14 de julho de 1936 e ficou conhecido pelo discurso que fez na Câmara sugerindo o boicote às comemorações do Sete de Setembro de 1968. Foi o pretexto utilizado pelo governo militar para instaurar o AI-5 (Ato Institucional número 5), que se transformou em um dos principais símbolos da ditadura (1964-1985).

O ato concedia poder irrestrito aos governantes com direito à censura a meios de comunicação e ao fechamento do Congresso Nacional, Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais.

Moreira Alves se elegeu deputado federal em novembro de 1966 pelo MDB, representando o extinto Estado da Guanabara (atual Rio de Janeiro). Tomou posse em fevereiro de 1967 e sua atuação foi marcada pela luta contra o regime militar.

O discurso sugerindo o boicote foi proferido no dia 2 de setembro de 1968 depois que a Universidade Federal de Minas Gerais foi fechada, e a UnB (Universidade de Brasília) foi invadida pela Polícia Militar. O pronunciamento de Moreira Alves foi considerado pelos ministros militares como ofensivo “aos brios e à dignidade das forças armadas”.

O pronunciamento resultou num pedido de cassação do mandato de Moreira Alves com o aval do STF (Supremo Tribunal Federal). O pedido de cassação foi rejeitado pelo plenário da Câmara.

Reprodução

Com a edição do AI-5, em 13 de dezembro de 1968, foram presos diversos jornalistas e políticos que haviam manifestado sua oposição ao governo. Moreira Alves encabeçava a lista dos 11 deputados federais que teriam o mandato cassado.

Exílio político

Com o agravamento da crise política no país, Moreira Alves deixou o país ainda em dezembro de 1968 e foi para o Chile, onde ficou exilado até 1971, quando foi para a França para realizar doutorado na Fundação Nacional de Ciências Políticas de Paris.

Entre novembro de 1973 e maio de 1974 viveu na cidade de Havana, onde deu aulas na Faculdade de Ciências Políticas e escreveu o livro Trabalhadores na Revolução de Cuba, baseado nos depoimentos dos membros da família com a qual se hospedou durante esta temporada cubana.

Em abril de 1974 foi para Lisboa e lecionou no Instituto Superior de Economia de Lisboa. Retornou ao Brasil, em setembro de 1979, beneficiado pela Lei da Anistia.

PMDB

Em 1982, após a reforma política que acabou com o bipartidarismo, Moreira Alves se filiou ao PMDB e disputou novamente uma vaga na Câmara dos Deputados, mas não foi eleito.

Sem nenhum cargo eletivo, Moreira Alves foi nomeado assessor de Luis Carlos Bresser Pereira na presidência do Banespa. Deixou a função em 1984, quando foi assessorar Bresser Pereira na Secretaria de Governo do Estado de São Paulo. Ficou no cargo até 1986.

Nas eleições de 1986 voltou a se candidatar a deputado federal pelo PMDB mas não foi eleito. Em 1987 assumiu a Subsecretaria para Relações Internacionais do governo do Estado do Rio de Janeiro.

Em 1990 deixou o governo do Rio e pediu a desfiliação do PMDB para montar uma empresa de assessoria para assuntos políticos, a Brain Trust Consultores Associados.

Jornalista

Moreira Alves começou sua carreira aos 17 anos, quando assumiu a função de repórter do jornal carioca “Correio da Manhã”. Ganhou o prêmio Esso de jornalismo pela cobertura da crise política em Alagoas, em 1957, quando a Assembleia Legislativa do Estado foi invadida. Alves foi atingido por um dos tiros mas mesmo ferido conseguiu passar a reportagem por telegrama.

Em 1958, entrou na Faculdade de Direito da atual UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro). Em 1963 se formou em ciências jurídicas e sociais.

Foi colaborador dos jornais “O Globo”, “O Estado de S.Paulo” e “Jornal do Brasil”.

Em julho de 1967, lançou o livro “Torturas e Torturados”, que foi apreendido e posteriormente liberado por decisão judicial.

 

Folha

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