Por Eliabe Castor

A humanidade foi colocada em uma encruzilhada no ano de 2020. Na luta para restabelecer a saúde diante das mortes provocadas pela pandemia causada pelo novo coronavírus, a ameaça da doença e da morte entraram em choque. O conhecimento e a desinformação, a ciência e o negacionismo, a prepotência de autoridades e a solidariedade entre os povos.

Viu-se, e ainda se vê o horror causado pela Covid-19. A pandemia já atinge 196 países em todos os continentes segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e registra 1.697.062 mortes até segunda-feira, 21 de dezembro. O número total de casos confirmados já é de 77.054.995.

Para piorar o quadro, um novo avanço no número de contaminações diárias na Europa desencadeou novos confinamentos obrigatórios em várias nações. Especialistas de países do velho continente anunciaram uma nova mutação do vírus no Reino Unido, que seria até 70% mais contagioso, o que obrigou o país a fechar fronteiras e cancelar voos para outros países no início desta semana.

O pânico se reinstalou e agora a respiração de todo o mundo tornou-se mais lenta, pois é temida uma segunda onda da pandemia. 2020 não deixará lembranças boas para a humanidade, que parece não entender que o perigo ainda não passou, mesmo com os avanços na produção de vacinas e o esforço dos cientistas em torná-las cada vez mais eficazes.

A Agência Europeia de Medicamentos (EMA) recomendou aprovação da vacina da Pfizer e Biontech na segunda (21). Os 27 países da União Europeia podem iniciar a vacinação em massa contra a doença causada pelo novo coronavírus. Algo similar que está ocorrendo nos Estados Unidos da América, enquanto o Brasil patina e não há prazo para começar. Os mais otimistas apostam que em março de 2021 o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) possa estar disponibilizando as primeiras doses, enquanto trava uma briga mesquinha com seu adversário ferrenho, o governador de São Paulo, João Dória (PSDB), que afirmou começar o plano de vacinação no dia 25 de janeiro, aniversário da Capital paulista.

Eficácia da CoronaVac e a torcida contrária de Bolsonaro

Após dois adiamentos, o governo de São Paulo deverá divulgar os dados da eficácia da CoronaVac até 7 de janeiro de 2021, de acordo com informações a gestão estadual e com o Instituto Butantan.

Os resultados dos testes da vacina contra o coronavírus, que está sendo desenvolvida pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac, deveriam ter sido divulgados na última quarta-feira (23), mas foram adiados novamente. Antes, a previsão era de que eles fossem conhecidos em 15 de dezembro.
E nesse jogo de cena, por mais absurdo que pareça, Bolsonaro torce para que os resultados sejam deficitários, mostrando um grau de maldade que ele não tem para com seus três filhos; cada um supostamente envolvido em escândalos políticos e de corrupção.

Auxílio Emergencial

Além do mundo inteiro ter parado, afetando desde eventos culturais a esportivos – as Olimpíadas de Tóquio – é o maior exemplo, adiada para julho de 2021, a economia mundial entrou em colapso, apresentando um leve crescimento no findar de 2020, mas com as incertezas vindas da Europa, a situação pode piorar, saindo do “leve” para a falência.

Enquanto isso, no Brasil, os mais de 66,9 milhões de brasileiros que recebem o auxílio emergencial, dos quais 36% das famílias que recebem o benefício não têm outra forma de garantir o seu sustento financeiro, mas o governo brasileiro afirmou que não irá prorrogar o mecanismo.

A justificativa estaria no propalado Orçamento de Guerra. Apesar de nos bastidores alguns ministros e auxiliares de Jair Bolsonaro pressionarem para a continuidade do benefício, a equipe econômica e agora a ala política controlada pelo presidente está convencida de que não será possível estender o benefício.

“A prorrogação do auxílio necessita de Orçamento de Guerra, não há recursos para isso. Para termos um novo auxílio temos que ter um novo Orçamento de Guerra, que precisaria ser votado na Câmara e no Senado numa emenda constitucional”, disse o líder do governo, deputado Ricardo Barros (PP-PR) ao ser questionado pela imprensa no último dia 23. .

“Não há tempo hábil e não houve iniciativa de qualquer parte para prorrogar ou renovar”, disse Barros. Mas deveria, pois é sabido que a pandemia não passou. O ano praticamente terminou, mas o horror causado não só no Brasil, mas em todo mundo causada pela Covid-19 não cessou.

Com a queda da arrecadação, desemprego, empresas falindo, tudo leva a crer que a taxa de desemprego será agravada. De acordo com os cálculos de Rogério Barbosa, professor do IESP-UERJ e pesquisador da USP: “A renda dos mais pobres de fato aumentou, mas essa melhora é ilusória. O dinheiro que chega é gasto imediatamente nas necessidades básicas, que se impõem. O auxílio não se converte em nenhum tipo de benefício duradouro. A real taxa de pobreza é quando você deixa de computar o auxílio”.

Para piorar, com o fim do auxílio emergencial, o Brasil entra em uma nova faze: a do medo da pandemia e do desemprego em 2021. Segundo o IBGE, há no país pouco mais de 9 milhões de pessoas desempregadas, e este número pode saltar no próximo ano para 25 milhões caso o governo federal não crie novos mecanismo para socorrer aqueles que necessitam de programas assistenciais, as micro e pequenas empresas, além da própria indústria. O cenário beira o caos. O quê fazer?

Por Eliabe Castor

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