Por pbagora.com.br
Indicadores da bolsa B3 REUTERS/Rahel Patrasso

A bolsa de valores brasileira, a B3, abriu em forte queda nesta segunda-feira (22), após o presidente Jair Bolsonaro ter anunciado na noite de sexta-feira a indicação de um novo presidente-executivo para a Petrobras e com agentes financeiros enxergando aumento relevante de risco político no país, principalmente de ingerência governamental na estatal.

Às 10h30, o Ibovespa caía 4,88%, a 112.652 pontos, pressionado pelo tombo nas ações da Petrobras.

Segundo a B3, após cerca de 15 minutos de leilão nos primeiros minutos de pregão, as ações da Petrobras abriram em queda de mais de 16%. As preferenciais com recuo de 16,58%, a R$ 22,50 e as ordinárias com baixa de 16,97%, a R$ 22,80.

Na sexta-feira, o Ibovespa fechou em queda de 0,64%, a 118.420 pontos, acumulando baixa de 0,84% na semana. Na parcial do mês até sexta, o índice acumulou avanço de 2,92%. No ano, a queda estava em 0,49%.

Cenário
As atenções dos investidores se voltam para a mudança no comando da Petrobras e temores de intervenção do governo federal na política de preços de combustíveis e na gestão de estatais.

Na noite de sexta-feira, Bolsonaro anunciou a indicação do general Joaquim Silva e Luna, atual diretor da Itaipu Binacional, para a presidência da Petrobras, no lugar de Roberto Castello Branco, gerando muitas críticas. Para que a troca na presidência da Petrobras seja concretizada, a indicação ainda precisa do aval do Conselho de Administração da Petrobras, que tem reunião prevista para esta terça-feira (23).

No sábado, Bolsonaro disse que precisa “trocar as peças que porventura não estejam funcionando”. E que, “na semana que vem, teremos mais”, sem dar mais detalhes. Bolsonaro também disse no sábado que vai “meter o dedo na energia elétrica”, e que, “se a imprensa está preocupada com a troca de ontem, na semana que vem teremos mais”, destaca a Reuters.

As preocupações com interferências na política de preços da Petrobras e na gestão de estatais impactam o mercado de câmbio na medida em que intensificam as incertezas sobre a situação fiscal do país, o que afeta também a confiança de investidores estrangeiros em relação ao Brasil e, por consequência, a entrada de dólares.

A XP Investimentos, por exemplo, cortou a recomendação para os papéis da Petrobras de “neutro” para “venda” no domingo, em relatório sob o título “Não há mais como defender”. O preço-alvo para as ações da Petrobras foi revisado de R$ 32 para R$ 24. Na sexta-feira, fecharam no patamar de R$ 27.

Pesquisa Focus do Banco Central divulgada nesta segunda mostrou que os analistas do mercado elevaram a estimativa de inflação em 2021 para 3,82%, acima da meta central, que é de 3,75%. A expectativa para a taxa Selic no fim de 2020 subiu de 3,75% para 4% ao ano. Já a projeção para a alta do PIB (Produto Interno Bruto) de 2021 foi reduzida de 3,43% para 3,29%.

Na cena doméstica, os investidores continuam de olho também nas discussões em torno de mais gastos com auxílio emergencial para a população vulnerável, em meio às preocupações com a saúde das contas públicas e rompimento do teto de gastos – considerado a âncora fiscal do país neste momento.

PB Agora com G1