Por pbagora.com.br

Seguindo o Programa Antimanicomial proposto pelo Ministério da Saúde, a Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa dispõe do serviço de Residência Terapêutica. O objetivo principal da iniciativa é acabar com a internação de pessoas com transtornos mentais severos em manicômios, reintegrando o usuário ao convívio familiar e social, levando em conta a potencialidade de cada indivíduo.

A Residência Terapêutica, que funciona em imóveis nos bairros de Mangabeira e Mandacaru, é destinada às pessoas que ficaram internadas por um período maior que dois anos em hospícios e, pela falta de suporte, perderam o vínculo afetivo-familiar. Dentre estes casos, estão os de pessoas que foram abandonadas pelos parentes em hospícios.

Janaína D’Emery, técnica em saúde mental da Secretaria Municipal de Saúde, ressalta que a perspectiva adotada nesse modelo de atenção é importante tanto para o usuário como para a comunidade. “Estamos rompendo a ideia de que o doente mental precisa ser isolado, mostrando que é possível realizar um tratamento que leva em consideração a dignidade do indivíduo”, destaca.

O espaço é vinculado ao Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Caminhar. Atualmente, seis usuários, sendo cinco mulheres e um homem, que passaram de mais de 30 anos internados, recebem atendimento de modo integral. O grupo é acompanhado por uma equipe multiprofissional composta, dentre outras especialidades, por enfermeiros, cuidadores e psiquiatra. Os pacientes também recebem visitas dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS).

“Como esses pacientes possuem limitações, alguns, inclusive de mobilidade, nós trazemos para dentro deste ambiente todo o serviço de saúde que o SUS oferece”, informou Luciane Costa, farmacêutica do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Caminhar.

Dados do Centro Cultural da Saúde do Ministério da Saúde revelam que em todo o país existem mais de 470 Residências Terapêuticas. Em João Pessoa, duas unidades desenvolvem esse serviço e estão localizadas no bairro de Mangabeira e Mandacaru, sendo esta última destinada apenas ao público feminino.

Há três anos, a técnica em enfermagem Lenilda Silva desempenha atividades no programa. Ela conta que o trabalho é gratificante, pois o novo método de atuação em saúde mental trocou as grades que existem nos hospitais psiquiátricos pela porta da moradia digna. “Aqui, prestamos um atendimento humanizado. Ficamos tão próximos a eles que acabamos nos apegando”, pontuou. “Também é possível ver uma forte interação entre os pacientes, principalmente na hora das refeições e quando estão assistindo televisão”, explicou a profissional.

Atividades e estrutura – As atividades no local começam cedo. A partir de pequenos hábitos, os profissionais vão desenvolvendo ludicamente a autonomia dos pacientes. Lenilda Silva relata uma das formas de como isso é desenvolvido: “Estamos sempre inserindo os pacientes nas atividades domésticas em grupo, além de sairmos para passear e fazer compras. Todas, claro, supervisionadas”, disse.

O agricultor Francisco da Silva, natural do Maranhão, está a um ano recebendo cuidados na unidade e conta que vive bem no local. “Os doutores estão sempre perto de mim cuidando da minha saúde. Além do mais, tenho muitos amigos aqui e sempre nos reunimos para assistir televisão depois do almoço”, disse o paciente.

Os imóveis onde funcionam a Residência Terapêutica possuem quatro quartos, dois banheiros, cozinha, dispensa e área de lazer, tendo capacidade para abrigar sete pacientes. Os familiares podem visitar os pacientes, sendo necessário apenas o interessado realize um cadastro no Caps.

Serviço – Para ser beneficiado com o programa, o interessado deve procurar as Unidades de Saúde da Família (USF) mais próxima de sua casa, que a equipe irá analisar o caso. A partir daí, o paciente será encaminhado para o atendimento ambulatorial nos Centros de Atenção Integral à Saúde (Cais) ou, em último caso, para os Caps.

Para casos de urgência em saúde mental, o município de João Pessoa também dispõe do Pronto Atendimento em Saúde Mental (Pasm), no Ortotrauma de Mangabeira. O serviço funciona 24h por dia.

Dados – Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizado em 2010, no Brasil existem 2.617.025 pessoas com algum tipo de deficiência mental ou intelectual. Na Paraíba, segundo o mesmo estudo, esse número chega a quase 62 mil. Só em João Pessoa, a pesquisa relata que existem 11.005 doentes mentais.



Secom/JP

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