Por pbagora.com.br

A negociação parecia simples e rápida. A porta de acesso foi o comércio eletrônico, que tem sido um caminho fácil para os consumidores encontrarem os mais diversos produtos. Só que, neste caso, a agilidade resultava na comercialização de um medicamento proibido, cuja ingestão pode causar a destruição de não apenas uma, mas de várias vidas: o Misoprostol, conhecido popularmente como Cytotec, um abortivo bastante conhecido no país. O mercado negro dos remédios ilegais invade o mundo virtual, mas também é difundido através de transações feitas nas residências e até por meio de estabelecimentos regulamentados.

O histórico do comércio de produtos falsificados, adulterados, contrabandeados e sem registro passava longe dos ambientes legalizados, como farmácias e drogarias. Pelo menos era o que se pensava. Com as ações de fiscalização realizadas pelas autoridades sanitárias, está sendo possível observar que a disseminação dessas mercadorias ganhou contornos maiores e envolve até locais livres de quaisquer suspeitas que, camuflados, ficavam despercebidos dos órgãos de vigilância.

De acordo com a Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa), as três últimas operações realizadas na Paraíba resultaram na prisão de 12 pessoas envolvidas com o comércio ilegal de medicamentos, além de onze estabelecimentos interditados. Mais de três toneladas de remédios com venda proibida foram recolhidas dos pontos visitados, em três anos. A mais recente, intitulada de ‘Operação Sequela’, foi deflagrada em 2009 e abrangeu a região metropolitana de João Pessoa (capital, Santa Rita, Cabedelo e Bayeux). O saldo foi de uma tonelada de produtos clandestinos retirados das prateleiras. Com essas medidas, notou-se que esses tipos de mercadorias não estariam apenas confinados em ambientes irregulares.

Em 2006, a Agevisa fez a operação denominada ‘Cura’, realizada no município de Patos, e dois anos depois o órgão desencadeou a operação ‘Efeito Colateral’, em Princesa Isabel. “As investigações mostravam que havia problemas de comercialização de psicotrópicos (aqueles de tarja preta que somente podem ser vendidos mediante apresentação do receituário do médico). No entanto, a proporção era ainda maior do que se imaginava. Foram encontrados sendo vendidos livremente produtos como comprimidos para disfunção erétil e vários outros”, explicou o diretor técnico de Medicamentos da Agência, João Peixoto. Outras operações de pequeno porte ocorridas nesse período podem ser somadas ao trabalho de combate ao comércio ilícito de remédios vetados para a comercialização.

Para o diretor, o comércio velado através da internet tem sido uma das maiores causas de preocupação das autoridades que batalham contra o mercado de remédios fora dos padrões permitidos para a venda. Bastou o envio de um e-mail para que o “dr. Rodrigo” (suposto nome do vendedor virtual) respondesse, em poucas horas o e-mail enviado pela reportagem do JORNAL DA PARAÍBA, fingindo ser uma grávida que desajava abortar, explicando todas as coordenadas de como alguém faria se quisesse se livrar do filho, ainda na barriga da mãe. Ele se identificou como um médico vendedor que trabalha há mais de dez anos no “ramo” de medicamentos proibidos. Na resposta, o ‘doutor’ assegurou que o produto faria efeito, sem riscos de estar comprando algo falsificado.

O Cytotec seria enviado através dos Correios no mesmo dia do depósito e, caso a compradora desejasse obter maiores garantias, o número do malote seria informado para que a mercadoria fosse rastreada. Para avalizar o resultado da aplicação, a encomenda viria acompanhada de um kit contendo pelo menos cinco itens para a gestante mesma fazer todo o procedimento, mesmo estando sozinha em casa.

“O kit é para evitar que você vá ao hospital fazer curetagem… Batizado de ‘kit uterino’ vem sendo bastante usado pelos usuários do Misoprostol”. Todos os detalhamentos, desde o melhor horário e lugar para fazer o aborto até as melhores formas para esconder o crime são explicadas no manual de procedimento abortivo, para dirimir todas as dúvidas da paciente grávida. Ainda segundo o médico, o relatório foi descrito por gestantes que passaram pelo procedimento abortivo. O preço da medicação varia entre R$ 500,00 e R$ 800,00, mais o valor do Sedex, por onde a encomenda seria enviada.

A Empresa de Correios e Telégrafos afirmou ter o controle de toda a mercadoria postada. O trabalho é feito a partir de dois equipamentos para fazer o diagnóstico do produto: um para raio-X e um espectrômetro de massa. Segundo o gerente de inspeção dos Correios na Paraíba, Marcelo Tadeu Nóbrega de Oliveira, a fiscalização serve para deter a mercadoria, impedindo que ela siga adiante. “Os Correios detectam o tipo de produto, mas a apreensão é realizada por órgãos como Ibama, Anvisa e Polícia Federal, dependendo do que se trata”, diferencia.

 

 

Jornal da Paraíba

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