Se você não estava num retiro espiritual em terras remotas ou numa viagem à Marte, já percebeu que vivemos um momento singular e histórico. A pandemia provocada pelo novo coronavírus é assunto em todo o mundo desde o início de janeiro de 2020, quando os primeiros casos começaram a brotar e se espalhar a partir da China. Mas será esse um momento único na economia na história global e em particular da Paraíba? A resposta segundo o professor do Centro de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Azemar dos Santos Soares Júnior é não e lembra os efeitos da gripe espalho-la na Paraíba.

No início da entrevista, foi indagado é possível equiparar o momento que vivemos agora e o coronavírus com algum fato histórico? Em resposta o professor disse que a Gripe Espanhola, que assolou o mundo a partir do segundo semestre de 1918.

“Na Paraíba, estima-se que foram infectadas mais de 2 mil pessoas em, aproximadamente, três meses. Sobre o número de mortes, não é possível precisar, mas acredita-se que tenha sido alto, sobretudo devido à falta de medicamentos, médicos e hospitais suficientes para atender a grande quantidade de enfermos. A Gripe Espanhola ou Influenza Espanhola irrompeu na capital paraibana, à época chamada Parahyba, no mês de outubro de 1918 e declinou em dezembro daquele mesmo ano. É preciso registrar que a doença se irradiou rapidamente por diversas cidades do interior do estado e foi transportada a bordo de navios vindos da Europa. O navio constipado chamava-se Demerara e apitou anunciando sua chegada em terras nordestinas. Era comum que as doenças de caráter epidêmico chegassem a bordo dos meios de transportes (navios e trens) responsáveis por trazerem cargas de alimentos e utensílios que abasteceriam a população local. Nesses veículos chegavam a modernidade e a enfermidade”, afirmou o professor.

Ainda de acordo com Azemar diferente da Covid-19, que a princípio teve sua disseminação causada pelo trânsito de pessoas ricas (afinal de contas, são elas que viajam para o exterior), a Gripe Espanhola acometeu os mais pobres. “Após acometer uma significativa parcela pobre da população da capital, vitimou homens e mulheres nas cidades de Guarabira, que registrou 600 casos, Serra Redonda, que anotou 400; outros 300 casos só na cidade de Itabaiana. Em Santa Rita foram pontuados 150 casos, em Cruz do Espírito Santo cerca de 100 casos e em Cabedelo mais de 50 enfermos de gripe”, descreveu.

Azemar é pesquisador da História da Saúde e das Doenças. Publicou livros sobre a história da higiene na Paraíba, intitulado “Corpos hígidos: o limpo e o sujo na Paraíba (1912-1924)” e o livro “Physicamente vigorosos: medicalização escolar e modelação de corpos na Paraíba (1913-1942)”.

 

Redação

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