Medicamentos descartados de forma irregular podem trazer sérias consequências ao meio ambiente e à saúde pública. Jogar remédios vencidos ou sobras no lixo comum traz inúmeros prejuízos ao meio ambiente e à saúde. Isso porque essas substâncias contaminam a água e o solo, podendo afetar peixes e outros organismos vivos, além de pessoas que bebem dessa água ou se alimentam desses animais. O procedimento também coloca em risco aqueles que entram em contato direto com o resíduo.

Um projeto desenvolvido por docente e alunos do Centro de Ciência e Tecnologia (CCT) da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) constatou que quase não existem pontos de descarte de medicamentos nas farmácias de Campina Grande, o que só colabora para o problema se tornar cada vez maior. Com o título “Diagnóstico do descarte de medicamentos: um panorama dos resíduos farmacêuticos de uso doméstico e seu destino final”, a iniciativa visa orientar a população em relação ao destino a ser dado aos medicamentos vencidos ou aos que sobraram de alguma cartela.

A professora do Departamento de Química, Vera Lúcia Meira de Morais Silva, coordena o projeto que envolve também estudantes dos cursos de Química, Engenharia Sanitária e Ambiental e Farmácia. Ela lembra que existem diversas leis, já aprovadas ou em tramitação, nos âmbitos nacional e estadual (a exemplo da Lei 6.776/2016, que institui o programa de destinação dos medicamentos vencidos, e a Lei 375/2016, que insere medicamentos de uso humano e suas embalagens no rol de produtos para os quais é obrigatória a implementação de sistema de logística reversa), que estabelecem a obrigatoriedade de existência de pontos de coleta em farmácias e unidades básicas de saúde. No entanto, apesar da legislação, em Campina Grande ainda não existem pontos de coleta suficientes.

O mais recente diagnóstico, realizado em maio deste ano, mostrou que não há pontos de coleta em todas as farmácias da cidade e, nas que dizem ter, não há divulgação. “As unidades básicas de saúde deveriam ser obrigadas a receber medicamentos vencidos ou em desuso. No entanto, apenas algumas recebem. Por isso, foi realizada uma Audiência Pública na Câmara Municipal de Campina Grande (CMCG), no dia 29 de maio deste ano, oportunidade em que alguns vereadores e vários professores da UEPB e de outras instituições levaram ao conhecimento dos parlamentares e da população em geral a necessidade de serem colocados pontos de coleta de medicamentos vencidos ou em desuso na cidade”, ressalta Vera.

A proposta foi de envolver o Poder Legislativo na luta para reduzir os riscos de incidentes nas residências, como é o caso de intoxicações por utilização de medicamentos vencidos e também da contaminação ambiental. Durante a audiência, os vereadores se comprometeram em aprofundar o assunto e viabilizar leis que possibilitem maior acesso da população a pontos de coleta para esses resíduos que, se descartados no meio ambiente, podem causar danos irreparáveis, como o surgimento de superbactérias. Para professora Vera, trata-se de uma questão de saúde pública.

“Diagnóstico do descarte de medicamentos” busca a conscientização da população quanto ao descarte de medicamentos e a mobilização para que haja a instalação de pontos de coleta desses resíduos pela cidade. O maior beneficiado é o meio ambiente, visto que os sistemas de tratamento de esgoto não conseguem eliminar algumas substâncias que estão presentes nos medicamentos que acabam contaminando os corpos aquáticos. Logo, causam danos nos seres vivos. A ideia surgiu a partir do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da aluna Jaylanne Medeiros de Mendonça, que tratava do diagnóstico do descarte de medicamentos na cidade de Nova Palmeira. O trabalho foi orientado pela professora Lígia Maria Ribeiro Lima, que atualmente é colaboradora do projeto.

Como ação interdisciplinar, o projeto nasceu em 2016. Na época, para o diagnóstico, foi aplicado um questionário com perguntas relacionadas ao tema e, para surpresa da professora e dos alunos da UEPB, foi constatado que a maioria das pessoas entrevistadas não fazia ideia do perigo de manter medicamentos vencidos em casa e, mais ainda, de descartá-los de maneira inadequada.

Além da professora Vera Lúcia Meira de Morais Silva, integram o projeto atualmente os estudantes Carlos Eron de Negreiros Júnior, Beatriz Maria B. Ramos de Oliveira, Yara da Silva Soares, do curso de Farmácia da UEPB, além dos colaboradores Lígia Maria Ribeiro Lima (DESA/UEPB) e Lenilde Mérgia Ribeiro Lima (Universidade Federal de Campina Grande – Câmpus de Sumé).

Assessoria

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