Por pbagora.com.br

Lágrimas, dor, perdas e sofrimento. Um Estado em luto com milhares de vidas ceifadas. Uma realidade trágica da maior crise sanitária da história. Há exatamente um ano, foi registrado o primeiro caso de contaminação pelo novo coronavírus na Paraíba. A Covid-19, decretada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), se espalhou logo, e chegou aos 223 municípios paraibanos. No próximo dia 30 completa um ano da primeira das mais de 5 mil mortes registradas no Estado em decorrência do vírus devastador.

O primeiro caso confirmado foi de um homem de 60 anos, residente de João Pessoa e que havia voltado de uma viagem para Europa, o que marcou o início de uma longa e dura batalha contra a pandemia no estado.

O Estado completa um ano de pandemia, vivendo o pior momento da crise. Diante do agravamento dos números da Covid, alguns hospitais estão com as Unidades de Terapia Intensiva (UTI), lotadas;  e os recordes de mortes estão sendo batidos a cada dia. O colapso no sistema de público de saúde iminente, e o risco de falta de oxigênio em João Pessoa, torna ainda mais preocupante o momento. A Covid-19, desmantelou  a economia dos paraibanos, apesar dos inúmeros esforços do Governo do Estado, que enlutou milhares de famílias.

Em números reais, a Paraíba completa um ano de pandemia com 241.592 casos confirmados de contaminação pelo novo coronavírus, segundo informações da Secretaria de Estado da Saúde (SES) divulgadas nesta quarta-feira (17). O número de mortes confirmadas por Covid-19 subiu para 5.080 no estado desde o início da pandemia. São 1.194 novos casos e mais 44 mortes na última atualização. Todos os 223 municípios paraibanos registraram casos da doença e 209 cidades registraram óbitos.
A ocupação de leitos de UTI em todo o estado é de 80%. Na região metropolitana de João Pessoa, 92% dos leitos de UTI para adultos estão ocupados. Em Campina Grande, o mesmo setor tem taxa de 70%. No Sertão, 98% dos leitos de UTI estão ocupados.
De acordo com a SES, pelo menos 700.079 testes para detecção do novo coronavírus foram realizados em pacientes na Paraíba, desde o início da pandemia.

Em um ano de pandemia, o mais preocupante é que os números continuam subindo numa proporção alarmante. Nesse período, mais de 25 médicos que estavam na linha de frente do enfrentamento da Covid, já morreram em decorrência de complicações do vírus. Os números são estarrecedores.  Muitos profissionais que atuam na linha de frente do combate ao vírus, estão exaustos e esgotados mentalmente.

Até a última quarta-feira (17), a Paraíba tinha 772 pessoas internadas em hospitais de referência do Estado tratando a Covid-19. Em todas as regiões, a ocupação já era superior a 80% em leitos de UTI adulto, sendo de 95% na 1ª Macrorregião. A Secretaria de Estado da Saúde (SES) não descarta o colapso no serviço de saúde.

O medo de não encontrar vagas nos hospitais da rede pública, também ronda os paraibanos. Até a última quarta-feira,  58 pessoas aguardavam na fila por um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), sendo 51 pessoas na região de João Pessoa e sete no Sertão da Paraíba. Outras 11 pessoas esperavam por um simples leito de enfermaria.

Nesse período, a Paraíba esteve oscilando nas áreas que representam, estabilidade, queda e alta de morte, no Consórcio de Imprensa. As cores, amarela, vermelha e azul, oscilaram. Os números mudaram todos os dias. Em 2020, o maior número de óbitos em um único dia foi registrado em 25 de maio e 4 de junho, quando 41 pessoas morreram após contaminação do novo coronavírus em cada um dos dias. Este ano, o Estado já bateu pelo menos três vezes recordes de mortes provocadas pela Covid.
O Estado enfrenta uma batalha para tentar conter o avanço da pandemia.  O governo abriu novos leitos, equipou alguns hospitais, como é o caso do Hospital das Clínicas em Campina Grande, mas falta a compreensão e o apoio da população, em cumprir os protocolos de segurança e os Decretos do Estado e municípios para tentar controlar o “inimigo invisível”,

Diante dos números crescentes, o Governo do Estado publicou um novo decreto com medidas mais restritivas para conter o vírus. Em algumas cidades como João Pessoa, epicentro da doença, e Campina Grande, é que foram inseridas nas bandeiras laranjas, no Plano Novo Normal Paraíba (PNNPB),  foi estabelecido o “toque de recolher”.

“Enveredamos por discussões inúteis e acirradas em redes sociais, abandonamos a ciência, idolatramos drogas inefetivas, condenamos o isolamento social em momentos cruciais, que precisávamos utilizá-lo, desprezamos as máscaras, realizamos eleições atemporais, insistimos em minimizar o novo coronavírus, falhamos na aquisição precoce das vacinas, investimos parcos recursos na Atenção Primária à Saúde e na nossa malha hospitalar ao longo dos anos associados à má aplicação e manutenção”, avalia Geraldo Medeiros.

O secretário de Saúde Geraldo Medeiros, e o secretário executivo de Saúde, Daniel Beltrammi tem insistido com os paraibanos para a necessidade do uso de máscara, higienização das mãos com álcool em gel, além de evitar as aglomerações, como medidas eficazes, depois da vacina, para conter o vírus. Em meio, ao avanço da pandemia, a Paraíba segue com a campanha de vacinação nos grupos prioritários, e sem perspectiva de quando vai iniciar a imunização em massa da população.

Severino Lopes
PB Agora