Por Wellington Farias

Cada um de nós, brasileiros, precisa entender a importância do Sistema Único de Saúde(SUS), do qual muitos de nós usufruímos e nem nos damos conta. 

Antes, porém, precisamos compreender que o Brasil possui o mais arrojado sistema de saúde que o mundo já viu, e não temos o alcance do que isso significa. Quando a ambulância do SAMU atende ao seu chamado, ali já é a presença do SUS.

Exemplos práticos, partindo de casa: eu e milhares e milhares de brasileiros usamos bolsas de urostomia, para o resto da vida; outros usam bolsa de colostomia, tudo para nossas necessidades fisiológicas. Os preços variam de R$ 30,00 a R$ 450,00 em média, a unidade. O SUS nos disponibiliza mensalmente uma quantidade suficiente desses acessórios indispensáveis. Detalhe: para rico e para pobre, não exige atestado de condição financeira nem social.

Ao longo dos dois anos que estou tratando de um câncer, fui submetido a nove cirurgias, das quais oito totalmente bancadas pelo SUS, com direito a hospital do melhor nível (Napoleão Laureano); médicos, enfermeiros e técnicos em enfermagem da mais alta qualificação profissional etc. e tal. A oitava cirurgia foi de um grau de complexidade que a minha ignorância não permite classificar; mas durou mais de seis horas com amputação de órgãos. Medicamentos, por mais caros que possam ser, também nunca nos faltou. Repetindo: absolutamente tudo pago pelo SUS.

Outro exemplo recente, tirado de dentro de casa: há dois meses nasceu a minha querida netinha Helena. O parto foi feito numa clínica particular e custou a bagatela de R$ 7 mil. Helena nasceu prematuramente e precisou ser internada na UTI Pediátrica. Agora pasmem:

O parto, com todo o aparato, médico, anestesista, apartamento etc. e tal, juntando tudo, custou R$ 7 mil. Uma única diária de UTI na clínica particular custou R$ 6 mil.

Agora entra o velho e bom SUS: por sorte, conseguimos uma vaga na UTI Neonatal na “santa” Maternidade Cândida Vargas, um patrimônio dos paraibanos que a Paraíba precisa conhecer. Uma referência em maternidade. UTI melhor que a anterior, corpo clínico de elevado grau de excelência. Um lugar onde pobre tem vez…

Tudo a custo absolutamente z-e-r-o ao nosso bolso. Quem pagou? Papai SUS.

Estes são apenas dois casos isolados numa única família. Mas são milhares e milhares e milhares Brasil a fora.

O que é

O SUS foi instituído pela Constituição de 1988 para atender cláusula pétrea que classifica a saúde como um direito de todos e dever do Estado. 

Com a criação do SUS, toda a população brasileira passou a ter direito à saúde universal gratuita, financiada com recursos da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. A Constituição também estabelece cinco princípios básicos que norteiam o SUS juridicamente: universalidade, integralidade, equidade – “acesso universal e igualitário”, descentralização e participação social (artigo 198 – III).

Considerado um dos maiores sistemas públicos de saúde existentes, o SUS é descrito pelo Ministério da Saúde como “um sistema ímpar no mundo, que garante acesso integral, universal e igualitário à população brasileira, do simples atendimento ambulatorial aos transplantes de órgãos”. Estrangeiros que estejam no Brasil e necessitem de atendimento médico urgente, também podem utilizar os serviços dos SUS.

O atendimento pelo SUS é realizado por meio dos centros e postos de saúde, os hospitais públicos – incluindo os universitários, os laboratórios e hemocentros (bancos de sangue) -, os serviços de Vigilância Sanitária, Vigilância Epidemiológica, Vigilância Ambiental, além de fundações e institutos de pesquisa acadêmica e científica.

Conforme dados divulgados pelo Portal da Saúde do Governo Federal em 2013, 152 milhões de pessoas dependem exclusivamente do SUS para ter acesso aos serviços de saúde (80% do total da população brasileira). São realizados cerca de 2,8 bilhões de procedimentos ambulatoriais, anualmente, 9,7 milhões procedimentos de quimioterapia e radioterapia, 236 mil cirurgias cardíacas e 19 mil transplantes.

Por Wellington Farias

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