“O rei está nu”. Quem nunca leu ou ouviu na oralidade sapiente tal frase. Mas o motivo dela existir? Bem, a roupa nova do rei “em dinamarquês Kejserens nye Klæder”; diz isso, ou quase, pois se perde na tradução a verdadeira essência.

Mas, buscando nas pesquisas infindáveis da minha pessoa, descobri a referência e o motivo do dito pelo não dito. Trata-se  da roupa nova do imperador dinamarquês. Um conto de fadas de autoria do seu patrício e escritor Hans Christian Andersen.

Esqueçamos a introdução. Foi apenas para, em metáfora, falar que estou eu, nu. Sim. Sem vestes protetoras e disposto a falar de um problema que desde a adolescência me “castiga”. Trata-se do Transtorno Afetivo Bipolar. Algo tabu, ainda que hoje estejamos todos nós na era das interações digitais.

E aí você pode estar a indagar. E o que eu tenho a ver com isso, pois nem sei o que é? E respondo a ti: Tudo! É um problema sério que atinge 4% da população mundial, segundo dados da Organização Mundial de Saúde.

E suas “repercussões” são preocupantes, caso o paciente não seja tratado. Não vou especificar os inúmeros problemas, mas vai desde a depressão, pensamento suicida, grandeza exacerbada, confiança em excesso, amabilidade em demasia, intolerância para com o próximo sem razão etc. Tudo vai  depender da sua condição mental, pois é uma patologia genética que “borbulha” nas interações do cérebro.

Para fechar o “estado clínico”, as políticas públicas são incipientes e a maioria da população não entende a gravidade do problema pela falta de informação, enquanto a taxa de suicídio só aumenta, muito em função dessa patologia. Eu mesmo já tentei tirar e retirar minha vida.

Mas isso não é um artigo sobre suspense, terror e falta de esperança. Caso fosse, quem assinaria era um cidadão chamado Alfred Hitchcock.

Minha proposta, embora o preâmbulo tenha sido duro, é mostrar que há tratamento para a bipolaridade. Inclusive na rede SUS. Eu mesmo faço tratamento nela, havendo um importante suporte particular da minha psicóloga, Gerlandia Arnaud e do pessoal do Caps AD III.  

Não se vitimizar
Hoje não me sinto um bipolar sem esperança. Uma vítima. Hoje sou Eliabe Castor. Sim, que veio ao mundo com essa patologia crônica, mas, com esmero rigor, tomando as medicações necessárias, consultas mensais ao médico, acompanhamento intensivo psicoterapêutico, exercícios físicos, um contato direto com a espiritualidade, dieta balanceada, posso e (tenho) uma vida normal. Meus cuidados são os mesmos de um portador de diabetes, por exemplo.

Cuidados necessários
Segue uma dica: somos propensos a buscar caminhos “paliativos” para “evitar” e mascarar a dor. Evitar o álcool e outras drogas, inclusive as ilícitas, é vital. É ponto pacífico. De resto o “rei está nu”. Contei hoje no programa radiofônico “Arapuã Verdade”.

Agradecer o espaço na mídia

Agradecer aos colegas de profissão que tão bem me acolheram, Heron Cid, Gutemberg Cardoso, Felipe Nunes e Fernando Braz, além da produção de Steniel Vieira e sonoplastia de Anderson José. 

Registro meu agradecimento, também, ao empresário e amigo Fábio Targino, que gentilmente cedeu espaço em seu site para minhas palavras, além da psicóloga convidada do programa, Aline Arruda e o pessoal da Aesca. Associação espiritual que presta grande apoio não só à minha pessoa, mas há muitos.

Outras “batalhas”
Agora foi a primeira batalha. Buscarei na Assembleia Legislativa (convido a todos e todas) a buscarmos uma  sessão especial para discutirmos o tema. Vamos tentar “cativar” nossos parlamentares. 

Por fim, muita paz e luz a todos. Nunca desistam da vida. Sejamos fortes. Busquemos sempre ajuda. E se na sua cidade não tem um centro de referência para o tratamento, enquanto a dor está presente, ligue para o Centro de Valorização à Vida (CVV). Número 188. Meu telefone particular (zap). Pode ligar a qualquer hora: 83 – 98783-8537.  

Eliabe Castor
PB Agora

 


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