A Paraíba o tempo todo  |

Opinião: Como Viveremos? Em busca de respostas às perdas na pandemia

CONTEÚDO CONTINUA APÓS PUBLICIDADE

Como viveremos é a pergunta que precisa de resposta neste momento de pandemia. Muitos estão dizendo silenciosamente no recôndito da sua alma em dor. Como viveremos sem a presença do filho, do Pai, da mãe, da avó, do avô, do tio, dos irmãos, amigos que vitimados pelo vírus já não estão mais aqui como antes. Lidar com o dualismo presença/ ausente cria uma sensação angustiante e sufocante que precisará seguir seu curso desde o nível crítico ao seu fechamento em uma experiência denominada de LUTO.

No luto é preciso viver sem o sorriso que contagiava, com a ausência daquele cuidado tão intenso e singular, sem as peripécias que traziam tamanha preocupação, sem aquela força dada nos momentos mais frágeis, sem os conselhos sábios nas tomadas de decisões importantes.

A pessoa que se foi acentua a memória saudosa o legado que fica e que em intensidade vai tecendo a mente, as emoções e o físico em molduras que demonstra o quanto tudo se tornou insipido e angustiante desde que o ente querido partiu.

Luto é choro, é dor é saudade, é aflição, é solidão mesmo quando cercado de pessoas. Quem se foi não será jamais substituído e, é por isso que o luto é uma das mais insuportáveis experiências que o ser humano pode enfrentar.

A palavra LUTO significa: “Profundo pesar causado pela morte de alguém. Sentimento gerado por perdas como separação, partidas ou rompimentos.

Deriva do latim “luctus,us”, significando dor, mágoa, lástima.” Desde o início da pandemia do COVID 19 conviver com o luto tem sido uma dura mas real necessidade de muitas famílias. Chegamos a marca de 3 milhões de mortes e, não temos segurança quanto as possibilidades de melhorias diante das constantes mutações do vírus que avança velozmente desafiando a ciência e ameaçando as nossas vidas.

Como viveremos?

Para outras pessoas o grito existencial em busca desta resposta relaciona-se com o sonho interrompido da configuração de sua atividade de trabalho que rapidamente sumiu no cenário chamado midiático. O home office, drive-thru e as diversas exigências estabelecidas pelos decretos que foram incorporados como medidas associadas à minimização das aglomerações. Este “novo normal” paralisou a trajetória de muitos seguimentos de trabalho refletindo um cenário de desolação, vazio e desesperança nos grandes centros urbanos. Uma imagem de tristeza que se assemelha ao luto.

Como Viveremos sem aquela alegria tão natural de SER, SE RELACIONAR e desfrutar das experiências essenciais à manutenção da vida como caminhar, sorrir, abraçar, ir e vir? Ainda não temos respostas. Eleva-se o senso de impotência todas as vezes que enfrentamos as variações dos lockdown sindicando um estado de alerta ao risco de colapso nos hospitais onde mais vidas estão necessitando de cuidados e em alguns casos virão a óbito se fazendo necessário mais uma vez parar.

A pergunta continua. Como viveremos? Diante desta sofrível realidade. Ao olhar para as Escrituras encontramos na experiência de um homem chamado Jó alguns caminhos para superação do luto, senão vejamos.

1- Para Jó a vida e a morte são desígnios estabelecidos pela soberana vontade de Deus. Ele é quem dá a vida e é Ele quem a pode tomar.

“E disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o Senhor o deu, e o Senhor o tomou: bendito seja o nome do Senhor. Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma.” Jó 1:21,22”.

Por ser Deus perfeito em todo seu Ser o peregrino até pode viver sem uma lógica explicação, mas jamais desassociar qualquer acontecimento ao infortúnio, ao acaso ou destino cego. Somente sob esta perspectiva da vida e da morte é que se pode bendizer (dizer bem) acerca de Deus em seu caráter e não lhe atribuir pecaminosamente falta alguma. Isso Jó soube fazer.

2- Para Jó viver sem a presença de seus filhos trouxe-lhe tanta dor que seria melhor não ter nascido para enfrentar esta realidade.

“E assentaram-se com ele na terra, sete dias e sete noites; e nenhum lhe dizia palavra alguma, porque viam que a dor era muito grande. Depois disto abriu Jó a sua boca, e amaldiçoou o seu dia. E Jó, falando, disse: Pereça o dia em que nasci, e a noite em que se disse: Foi concebido um homem! Por que não morri eu desde a madre? E em saindo do ventre, não expirei? Por que me receberam os joelhos? E por que os peitos, para que mamasse? Porque já agora jazeria e repousaria; dormiria, e então haveria repouso para mim.” Jó 2: 13, e 3:1-3; 11-13

Esta percepção nos mostra a humanidade de um homem sob o luto, sob a dor. Em outras palavras Jó estava a essa altura buscando entender por que tudo estava acontecendo e ele estava ali para ver e viver tais experiências.

Por que não foi poupado de tamanho sofrimento? Em outas palavras. Como viveria frente a tudo que estava passando? Fica evidente na descrição acima que sua dor foi tamanha que silenciou temporariamente a voz de seus amigos.

Sua compreensão da soberania de Deus não anulou sua humanidade diante da realidade vivida. Isso deve nos ensinar para que não sejamos impedidos de expressar o que estamos sentido diante do luto, da perda da pessoa amada.

3- Para Jó o conhecimento de Deus e de suas ações só pode ser compreendidas a partir do próprio Deus e não das interpretações que fazemos.

“Quem é este, que sem conhecimento encobre o conselho? Por isso relatei o que não entendia; coisas que para mim eram inescrutáveis, e que eu não entendia. Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te veem os meus olhos. Por isso me abomino e me arrependo no pó e na cinza.” Jó 42:3;5,6

A experiência com Deus a partir da Sua Auto revelação levou Jó a uma percepção diferente de tudo que estava acontecendo. Fica evidente de igual modo que a forma como seus amigos falaram sobre o Ser de Deus e sobre a resposta de Jó ao sofrimento não refletia quem de fato Deus é e nem tampouco a verdade sobre o enfretamento de Jó. Eis o que diz o texto:

“Sucedeu que, acabando o Senhor de falar a Jó aquelas palavras, o Senhor disse a Elifaz, o temanita: A minha ira se acendeu contra ti, e contra os teus dois amigos, porque não falastes de mim o que era reto, como o meu servo Jó”. Jó 42:7

Como Viveremos tendo Jó como referência?

• A semelhança de Jó devemos confiar na soberania e Deus para a leitura do sofrimento humano até mesmo a morte. Nada foge ao seu controle e desígnio.

• A semelhança de Jó diante do sofrimento podemos externar nossa dor e descreve-la mesmo quando isso parecer estranho aos ouvidos de outras pessoas;

• A semelhança de Jó devemos nos humilhar e integrar o conhecimento à prática e demonstrar nossa piedade em santa rendição e humilhação àquele que Tudo pode e cujo propósito jamais pode ser impedido. Esta atitude deve ser revestida da esperança de que um dia Ele mesmo enxugará dos nossos olhos toda lágrima.

“E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas”. Apocalipse 21:4

 

José Alcione Pinto
Pastor e Psicólogo

CONTEÚDO CONTINUA APÓS PUBLICIDADE

    Comunicar Erros!

    Preencha o formulário para comunicar à Redação erros de português, de informação ou técnicos encontrados nesta matéria do PBAgora.

      Utilizamos ferramentas e serviços de terceiros que utilizam cookies. Essas ferramentas nos ajudam a oferecer uma melhor experiência de navegação no site. Ao clicar no botão “PROSSEGUIR”, ou continuar a visualizar nosso site, você concorda com o uso de cookies em nosso site.
      Total
      0
      Compartilhe