Por Eliabe Castor

Ao longo da minha vida, sempre ouvi falar sobre o famoso “Juramento de Hipócrates”, mas passei despercebido ou com fastio para ler tal assunto, a fim de conhecê-lo minimamente. O que é um erro, ou foi, da minha parte, até a problemática daqueles que utilizam as ciências médicas para se aproveitar, de forma vil, da sua condição e beneficiar terceiros ou a si próprios no que diz respeito à vacinação que busca imunizar as pessoas contra o novo coronavírus.

Pois bem! Tudo ao seu tempo, e ele chegou. Resolvi pesquisar o chamado “Juramento de Hipócrates”, não o juramento dos hipócritas; o que é bem mais válido em dias atuais, em especial quando há uma pandemia no mundo. Um mundo que pede clemência para que as vacinas desenvolvidas nos quatro cantos da Terra cheguem a seus povos e possam minimizar os efeitos nefastos de tal enfermidade de maneira equânime e humana.

E nesses mínimos estudos descobri que Hipócrates, um grego que viveu há 460 a.C. é considerado por muitos uma das figuras mais importantes da história da Medicina e apontado como sendo o “pai dela”, apesar de ter sido desenvolvido tal ciência muito antes por Imhotep, cientista do Egito antigo.

História contada, não vou me estender sobre tais figuras históricas, apenas colocar, no texto, um trecho daqueles que encerram seu ciclo de estudos em profissão tão nobre: “…aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém”. E isso é lindo. Ao ler por completa tal promessa, o leitor poderá cair em prantos de tão humano é o juramento dos que terminam as ciências médicas.

Mas, como noutras áreas profissionais, juramentos, éticas, compromissos com a vida e com o próximo estão no subsolo da amargura. O que rege, mesmo, em grande maioria, é a força do dinheiro e poder. No “salvem-se quem puder, mas se puder pagar pela vida”.

E aqui encerro meu preâmbulo extenso, para parabenizar, sem qualquer ato que desabone minha conduta ética, o prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (PP), o secretário de Saúde do Município, Fábio Rocha, além do Ministério Público Federal, o da Paraíba, além do Ministério Público do Trabalho que solicitam averiguar uma suposta violação dos critérios de prioridade na aplicação das vacinas contra a Covid-19 no Hospital Nossa Senhora das Neves.

A possível irregularidade

Na sexta-feira (22), o secretário de Saúde de João Pessoa, Fábio Rocha, anunciou que a vacinação no Hospital Nossa Senhora das Neves, na Capital, estava suspensa. O gestor, respeitando todos os direitos ao contraditório, anunciou que a vacinação naquela unidade estava suspensa.

A decisão foi tomada após denúncias de supostas irregularidades na aplicação do imunizante contra a Covid-19 na unidade de saúde. As possíveis infrações teriam sido cometidas após colaboradores do setor administrativo que não trabalham no prédio do Nossa Senhora das Neves também terem sido vacinados.

E pior: há a suspeita de que o diretor do hospital, filho do dono, também terem se vacinado de forma indevida . Agora a unidade hospitalar terá o prazo de 48h para formalizar sua defesa e plausíveis explicações. A sociedade, como um todo, aguarda a defesa do Nossa Senhora das Neves e, caso seja constatado alguma alteração protocolar na vacinação, que a unidade seja, de forma ampla, penalizada, inclusive os supostos colaboradores que furaram a fila para receber o imunizante, afinal, atentar contra a vida humana é crime. E Hipócrates já falava isso há mais de dois mil anos.

Eliabe Castor
PB Agora

Por Eliabe Castor

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